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domingo, 19 de julho de 2020

TÊNIS CLUBE DE MESQUITA, O REFLEXO DE UMA SOCIEDADE MESQUITENSE

Periódico do TCM, com panorâmica do clube 1958

Mesquita tem história, como qualquer outro município na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Inclusive, a partir do final dos anos 70 surge uma disputa ideológica, no sentido de dar identidade à região periférica à Capital. Ainda na primeira metade do século XX geógrafos abandonaram o termo Baixada da Guanabara, passando a adotar o termo Baixada Fluminense, o que contribuiu minimamente para centrar foco em uma região que não era de fato a metrópole mas também não poderia geograficamente ser identificada como Interior, no contexto territorial do estado.

D. Dininha (Edna) Provençano, membro do TCM

Uma das características muito particulares da sociedade que habita a Baixada Fluminense que se percebe logo na virada do século XX, é a busca pela reprodução de um modo de vida metropolitano, ideário que era possível importar facilmente, considerando a distância de menos de uma hora entre Mesquita e o Centro da cidade do Rio de Janeiro, primeiramente através dos trens da Central do Brasil e, posteriormente, por intermédio da BR 116, conhecida popularmente como Via Dutra, trecho da rodovia federal inaugurado em 1951.

Área anterior a construção do TCM

Faço aqui uso do termo “sociedade”, considerando o seu sentido ainda corriqueiro de analogia com uma camada social avessa à cultura de massa, que forja um discurso que se consolida mais amplamente nos Brasil, a partir dos anos 60, mas que tem já seus reflexos em nossa Região já há pelo menos duas décadas antes.  Como exemplo temos no município de Mesquita o Tênis Clube de Mesquita-TCM, inaugurado em 1946 por iniciativa de industriais, comerciantes e profissionais liberais locais. Segundo relato de D. Dininha Provençano, uma das primeiras atletas de vôlei de nosso estado e moradora de Mesquita, o TCM surge como alternativa ao Esporte Clube Iguaçu, fundado em 1912, mas que tinha em seus quadros atletas negros, disputando o antigo Campeonato Estadual Fluminense já em 1944.

Ao olharmos para o passado do Esporte Clube Iguaçu veremos que consta como um dos primeiros dez sócios o nome de Silvano Azevedo, jornalista negro, fundador do jornal Correio da Lavoura, com sede no mesmo município. De igual modo o Mesquita Futebol Clube, inaugurado em 09 de maio de 1920, trazia em seus quadros um número expressivo de trabalhadores negros, tendo as competições esportivas como a marca do vínculo entre classe. No entanto, o surgimento do TCM passa a representar um traço claro de distinção social, haja vista que figuras de notada influência na sociedade local constam como membros da diretoria desse clube de membresia tão seleta. O clube era em sua concepção algo tão seleto, que sua diretoria era composta quase que exclusivamente por homens, segundo a publicação de janeiro de 1958.

Cabeçalho do periódico do TCM

Um fator motivador tanto da construção do TCM quanto para a seleção De seus sócios foi a construção da piscina. Segundo relatos de antigos integrantes, João Pilotto, diretor do clube e engenheiro da chamada “Fábrica Gigante”, como era conhecida a Cia. Materiais de Construção Ludof & Ludof, foi o idealizador desse desejado atrativo social, firmando também importantes parcerias, inclusive intermediando a aquisição de equipamentos junto ao Fluminense FC, que doou uma bomba para filtragem da água utilizada, que tinha como fonte a cachoeira que passava bem ali. Cachoeira essa que, devido a sua importância, identificava a rua que ladeava o clube.

Diretoria do TCM em 1958: nenhuma mulher no topo

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

ENFRENTANDO UM NOVO GOLPE CONTRA A CULTURA FLUMINENSE

O ano de 2019 já está marcado pelo desmonte das estruturas democráticas estabelecidas por lei em todas as esferas de poder, ainda que cada avanço na direção da construção de marcos legais tenham sido alcançado a duras penas, em anos anteriores. O fato é que no estado do Rio de Janeiro o atual governo, que se alinha par e passo com o modelo estabelecido no governo federal, mostra-se de igual modo avesso ao contraditório no que se refere a participação popular e, acima de tudo, vem fazendo uso de artifícios legais para burlar a gestão participativa do bem público. Exemplo que elucida tal postura é a prorrogação em 2019 do Decreto de calamidade Financeira (primeira edição através da  Lei n° 7.483, de 08 de novembro de 2016, reeditada em 2017 e 2018), que limita o uso de recursos públicos, mesmo aqueles previstos no orçamento votado na Assembleia Legislativa do Estado-ALERJ.

No que se refere a gestão da cultura no governo Witzel, temos exemplo de má fé desde a constituição da equipe de transição, quando um conjunto de proposições partidas do Conselho Estadual de Política Cultura-CEPC e de um colegiado de representantes regionais (documento em anexo), foi recebido no dia 10 de dezembro de 2018, pelo então coordenador do GT de Cultura da Equipe de Transição de Witzel, Ruan Lira - assumido pelo próprio governador eleito como futuro secretário da pasta, no mesmo dia da entrega do documento - com a promessa de análise das propostas e compromisso firmado de que tais pleitos seriam absorvidos, tendo em vista que tais questões pautadas seguiam em cumprimento ao que estabelece a Lei 7035/2015 do Sistema Estadual de Cultura.

O fato é que pontos fundamentais, tais como compromisso com o Plano de Ações e Metas definidos pela 4ª Conferência Estadual de Cultura, Regulamentação e cumprimento do Programa de Fomento e Incentivo à Cultura, regionalização dos recursos, obedecendo a proposta de divisão dos recursos do Fundo Estadual de Cultura em 60% para Interior/Baixada Fluminense e 40% para a Capital, além de outras reivindicações, não tiveram resposta. Além disso, a proposta de calendário eleitoral de renovação do CEPC, definida em assembleia ordinária, foi ignorada, dando lugar a uma eleição pouco transparente e fora dos trâmites previstos tanto pela Lei do SEC , bem como do Regimento interno do Conselho.

Por último, vemos no site do governo do estado o uso de um dispositivo legal, porém que fere os trâmites corretos de gestão dos recursos da Lei do ICMS (Lei Estadual de Incentivo a Cultura). Através desse dispositivo, a Secretaria publicou resoluções  (nº08/fev 2019 e 36/julho 2019), lançando mão do dispositivo de excepcionalidade, para seleção de 13 projetos aprovados sem nenhuma avaliação prévia ou critério justificável. Cabe também observar que desses 13 projetos financiados, apenas 01 era de fora da Capital.

Um documento foi redigido por agentes culturais representantes das dez regiões do  estado (vide documento em anexo), denunciando as atitudes antidemocráticas e centralizadoras dessa gestão, documento esse que também mobiliza a uma ato público de repúdio a tal postura e afronta a um longo processo, na busca pela moralização e valorização da gestão cultural, que aponta não apenas para o governo do estado, mas para os 92 municípios fluminense.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

ESTRANHO “MUNDO DO TRABALHO” NO BRASIL DE HOJE


O ESTRANHO “MUNDO DO TRABALHO” NO BRASIL DE HOJE

“O meu patrão sou eu mesmo!”

Essa frase é antiga. Porém, tem conotações distintas na história do trabalhador brasileiro.

O site oficial do Senado Federal, em texto publicado hoje, (28 de junho de 2019), informa que a  Medida Provisória 873/2019   expirou, tendo em vista o tempo legal para tramitação e devidos encaminhamentos nas duas Casas Legislativas.  O texto da MP preconizava que estariam barrados os descontos do Imposto Sindical em folha de pagamento do trabalhador formal, no valor referente a um dia trabalhado, por ano. O fim da vigência desse dispositivo governamental não chega ser uma vitória para o trabalhador mas, sem dúvida, é uma derrota para o governo Bolsonaro, que tem reafirmado a cada dia seu compromisso com um modelo de Estado Liberal, onde as contrapartidas sociais estão longe de ser prioridade do governo. Fatalmente, o mundo do trabalho é o alvo fundamental das políticas públicas implementadas, sobretudo desde que Temer assume a presidência do Brasil, dedicando esforço intensivo a Reforma trabalhista, do mesmo modo como o atual governo prioriza, de forma acalorada, a Reforma da Previdência, sob resistência de uma camada importante de formadores de opinião.

Se considerarmos que essa queda de braço entre direitos trabalhador e interesses do empregador  pode ser demarcada pelo menos a partir do governo Collor, a quem atribuo o primeiro lampejo neo-liberal no Brasil, veremos que uma estrutura  hegemônica se estabeleceu. Estrutura essa capaz de incutir na cabeça do trabalhador contemporâneo a naturalização dessa crescente perda de direitos, o que justifica o estabelecimento de uma cultura empreendedora, em detrimento das formas coletivas do articulação de trabalhadores.

O fato é que algumas profissões já nascem com características autônomas, como o caso do artesão, que exerce suas práticas de forma criativa e única, muitas vezes utilizando tecnologia desenvolvida pelo mesmo. Outras, como o técnico de informática, palestrantes, ou o personal treiner, são profissões contemporâneas que possibilitam ao trabalhador estabelecer as próprias regras na geração de renda pessoal.
Grupo "SIPATSHOW": palestras com o uso de linguagem artística em empresas

No entanto, o modo de produção ou prestação de serviço que deveria se caracterizar pelo vínculo temporário, hoje se tornou pré-requisito para contratação permanente, por parte de empresas no Brasil, com o uso do chamado pejotismo. Esse método de contratação de terceiros via pessoa jurídica tem sido Método adotado para flexibilização de vínculo empregatício, eximindo a empresa contratante de encargos previstos na legislação trabalhista.

O modelo Pessoa Jurídica de vínculo nasce com a função de possibilitar prestação temporária de serviço, considerando que muitas empresas, por seu perfil operacional, não possui em seu quadro funcional alguns profissionais em áreas específicas. Nesse caso, o vínculo contratual ou via CLT levaria a tal empresa à um vínculo desnecessário com determinado trabalhador.
Bom exemplo disso é que:

Para efeitos de comparação entre as duas modalidades de contratação, em 1994, na virada do Plano Real, um analista de sistemas sênior celetista que ganhava, em média, R$ 2.000,00, era contratado como pessoa jurídica por aproximadamente R$ 23,00 por hora, aproximadamente R$ 4.000,00. Desta forma, podemos observar que há nítida vantagem financeira na modalidade PJ em relação à celetista, fazendo com que este fenômeno se tornasse cada vez mais popular na área de tecnologia da informação (MARTINS, 2013, p.8).

No entanto, vemos exemplos atuais que demonstram o uso de um truque no que se refere à contratação de trabalhadores, com a utilização desse mecanismo. Em matéria do site G1, publicado no dia 09 de janeiro, vemos que a Secretara de saúde de Aracajú fez uso desse dispositivo para contratar médicos para atuarem em Unidade de Pronto Atendimento-UPA. Por ser uma modalidade que se caracteriza pelo vínculo temporário e autônomo em relação prestador de serviço e o contratante, notamos nesse caso que a finalidade é eximir a prefeitura de responsabilidades quando ao servidor público.

Trabalhadores de Aracaju cobrando direitos:site G1 em 09/01/2019

O Art. 3º da CLT deixa bem claro que “Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Ou seja, se existe plantão continuado e salário pré-estabelecido também com rotina mensal, está caracterizado o vínculo empregatício. Logo, o modelo PJ não deveria ser utilizado nesses casos.

Em se tratando de prestação de serviço entre empresas, o trabalhador PJ tem a possibilidade inclusive de aumentar significativamente sua renda, como já comentamos anteriormente. No entanto, tem sido muito comum o uso desse tipo de artifício nas estruturas públicas, sobretudo nas prefeituras. 

A contratação de cooperativas, por exemplo, fui um mecanismo amplamente utilizado na Baixada fluminense, em particular na Prefeitura de Mesquita, onde até três cooperativas operaram simultaneamente na contratação de “prestadores de serviço”. No entanto os vínculos trabalhistas eram claros, vide o grande número de ações na justiça que deram ganho de causa aos trabalhadores desvinculados à critério do gestor da pasta e não da cooperativa à qual esse trabalhador estivesse ligado (COSTA, 2018)

De igual modo, a iniciativa privada tem feito uso desses mecanismos, sendo esse grupo de empregadores, na verdade, os que vêm alavancando a precarização das relações trabalhistas ao longo de décadas. O que ocorre é que algumas profissões não exercem necessariamente atividades informais. No entanto, existe uma tradição de vínculo menos rígidos entre algumas categorias profissionais, como é o caso de artistas e produtores culturais.

Ao observarmos as formas de vínculo empregatício entre produtores ou agente culturais diversos e as instituições privadas, vemos uma tendência à informalidade ou inexistência de vínculo trabalhista, considerando às formas precárias de contratação de agentes culturais. Bom exemplo a ser observado diz respeito sistema Fecomércio RJ, em particular o SESC RJ e sua atuação no estado do Rio de Janeiro.

Com um pouco mais de 50 anos realizando atividades artísticas e culturais interna e externamente às suas dependências, nos últimos 15 anos o SESC vem adotando uso de vínculos precários de trabalho, desde que Orlando Diniz, hoje denunciado por corrupção pela operação Lava Jato, tornou-se Presidente daquela instituição e Arauto da precarização dos vínculos de trabalho dentro dessa instituição patronal. Os primeiros contratos de trabalho do SESC RJ via CLT passam na última década a condição de contrato temporário de trabalho chegando ao pejotismo, quando os trabalhadores são contratados via pessoa jurídica, através do sistema de microempreendedor individual - MEI, não criando assim ônus algum a instituição, no tocante a seu quadro funcional.

Como exemplo disso vemos que o SESC/RJ lançou em 23 de março de 2018 seu edital 01/2018, para fins de “credenciamento de pessoa física e microempreendedor individual para prestação de serviço técnicos em atividades finalísticas nas unidades operacionais do SESC/ARRJ no Estado do Rio de Janeiro – instrutor, monitor e oficineiro”. Esse edital marca a retomada das atividades artísticas e arte-educativas do SESC/RJ, após a prisão de Orlando Diniz, ex-presidente do Sistema FECOMÉRCIO, pela Força Tarefa Lava-Jato no estado fluminense. O que vemos é que Diniz se utilizada desse tipo de vínculo precário inclusive para beneficiar financeiramente o grupo ao qual, a Lava-Jato lhe atribuía vínculo.


Diniz é acusado de contratar funcionários de forma fraudulenta: imagem RJTV 23/02/2018
Ocorre que até mesmo os mais aguerridos movimentos culturais trazem no conjunto de suas lutas algumas reivindicações nas quais excluem questões relacionadas aos vínculos precários de trabalho. Fato que nos dá o entendimento de que as estruturas tradicionais de poder financeiro vêm conseguindo implementar e consolidar na sociedade tanto o modelo de estado mínimo quanto os meios mais incisivos de precarização nas relações de trabalho e geração de renda no estado do Rio de Janeiro.

Nesse contexto vemos que trabalhadores pertencentes à classe artística têm se mostrado dispostos a abrir mão de direitos históricos em favor da garantia da geração de renda. Cabe observar que esse fenômeno se dá mesmo entre trabalhadores que apresentam bom nível de informação quando as desigualdades sociais e as interferências, visando implementar e consolidar a flexibilização das leis trabalhistas.

Estamos em um novo ano, com um novo governo no Brasil. Temos notícias de diversas articulações que visam passar do processo de flexibilização dos vínculos trabalhistas à efetiva precarização das relações de trabalho. Há em nosso país hoje uma cortina de legalismo e moralidade encobrindo intenções muito mais sérias. Intenções essas que tem o trabalhador como alvo, sobretudo aquele que apresenta alguma capacidade de aglutinação e mobilização de classe. 

Nesse caso nós, trabalhadores, vivemos em um ambiente no qual uma nova cultura, com seus código e valores, se estabelece. Para além disso,

A cultura do trabalho pode também ser definida pela forma como se constroem os valores de um conjunto de trabalhadores diante da sociedade. Valores esses que os indivíduos aprendem então a criar e reproduzir, a partir de uma realidade que lhes é oferecida, interferindo em seu meio a partir da mesma lógica de criação e reprodução (COSTA, 2018, p.52).

Torna-se fundamental então ver o trabalho como elemento humanizador da sociedade e não apenas como mecanismo de geração de renda. Abrir mão à fragmentação dos trabalhadores enquanto um conjunto de pessoas que produzem e vivem do trabalho é trazer para dentro de nossas casas esse ideário de individualismo e impessoalidade.Ou seja, é investir no desenvolvimento de uma consciência do papel de cada profissional, diante do conjunto dos trabalhadores à nossa volta, para a qualidade de vida, bem antes de ser um fator de geração de riqueza à quem emprega e mera forma de levantar recurso para pagar as despesas.  É importante então estar ciente de que tem se estabelecido uma nova cultura do trabalho, que impõe agora regras políticas/partidárias, morais e éticas, associadas às já consolidadas justificativas econômicas para a flexibilização das relações de trabalho no Brasil. 

Por fim, fica a reflexão de que, diferente do anseio de ser dono de si e de sua produção, o trabalhador tem vivido uma condição de “estranhamento” (OLIVEIRA, 2010). Ou seja, mesmo ciente de sua capacidade técnica e qualificação profissional, é o empregador quem define o grau de competência para exercício da atividade para qual esse trabalhador se qualificou, bem como o valor financeiro desse trabalho. Esse estranhamento então surgem a partir do entendimento que, mesmo sendo a mão do trabalhador a que produz riqueza, o que lhe é dado de retorno não condiz com o nível de esforço empenhado, gerando assim conflitos internos e externos em quem de fato produz riqueza.

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Referências:

COSTA, Ivan José Machado da. Cultura do trabalho: histórico de lutas e a atuação de agentes de combate a endemias no município de Mesquita-RJ. 2018, 120 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Educação Profissional em Saúde) - Fundação Oswaldo Cruz. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Rio de Janeiro, 2018.

MARTINS, Edney Sabioni. A Modernização das Relações de Trabalho no Âmbito da Prestação de Serviços na Área de Tecnologia da Informação. apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharelado em Direito da Universidade Católica de Brasília, no primeiro semestre do ano de 2013. 


OLIVEIRA, R.A. A Concepção de Trabalho na Filosofia do Jovem Marx e suas Implicações Antropológicas. Kínesis, v. 2, n. 3, abr. 2010, p. 72-88.

SIPATSHOW. Grupo teatral. Link:
https://sipatshow.com.br/quem-somos.html

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Centro Cultural Mr. Watkins - um sonha a realizar




O Centro Cultural de Mesquita, uma reivindicação que tem praticamente a mesma idade do município, está em vias de realização. O terreno, comprado com recursos próprios, carecia de fonte financiadora para a construção, o que para os cofres públicos inviabilizava a obra. A área que pertencia aos Correios e já serviu inclusive como central telefônica, está localizada em área privilegiada, pois, como diz Edson Maciel, secretário de Urbanismo de Mesquita, o centro cultural estará localizado no Centro do Centro da cidade, por se localizar na antiga Rua Barão de Mesquita, bem no centro comercial e dos bancos.

Com a proposta de um prédio arrojado e de vanguarda arquitetônica, a imagem da fachada deve ser no formato de pintura grafitada Segundo Edson. A participação de grafiteiros na pintura da fachada do centro cultural então pode ser o primeiro marco de intervenção artística já na fase de construção.

A principal fonte de financiamento é uma parceira feita com uma ONG internacional ligada à família de Mister Watkins, industrial que investiu na área metalúrgica no então 5º Distrito de Nova Iguaçu, como Mesquita era classificada administrativamente.
Último piso: área para confraternizações

O centro cultural de Mesquita aproveitará ao máximo o espaço físico. Segundo o que se vê na planta, a área total está dividida em Três Lajes. De cima para baixo, O último dos três pisos terá um espaço semiaberto com churrasqueira, remontando o imaginário de laje como área alternativa de lazer nas residências, sendo de fato um espaço de socialização em muitas comunidades.
Segundo piso: espaço  de exposições e setor administrativo
Segundo piso: mezanino, plateia e melhor aproveitamento do espaço
No segundo plano teremos um mezanino com área de visão para o palco e uma parte administrativa com acesso a banheiros e um espaço de exposições. 
Térreo: saguão com mini biblioteca e café/bar
Térreo: acesso principal do público ao palco

O térreo tem hall de entrada, um bar, uma mini biblioteca e um acesso frontal ao palco. A área total tem capacidade para cerca de 200 pessoas confortavelmente, com uma área útil total de mais de quatrocentos metros quadrados nos três pisos. Todos os espaços oferecem acessibilidade para deficientes nos três pavimentos por meio de rampa e elevadores. Em relação aos artistas, é possível ter acesso ao palco via entrada social ou pela área superior, por conta de uma escada caracol postada atrás do palco.

O prédio é de construção simples, o que garante a celeridade da entrega já em dezembro, segundo o secretário de Urbanismo. Um dos objetivos fundamentais é que ali seja um verdadeiro espaço de encontro e de fruição da produção cultural local e até mesmo da região da Baixada Fluminense, exatamente por ser um ponto nobre da cidade e por dar o caráter simbólico que a cultura requer, garantido o aspecto cidadão da Cultura.

A rua Barão de Mesquita
A rua onde estará localizado o Centro Cultural já traz consigo um conteúdo histórico importantíssimo, segundo o que consta do livro Nossas Ruas têm História, do qual tive o prazer de participar. O Barão de Mesquita foi um proprietário de terras nesta Região, muito influente na Corte portuguesa, no período que antecedeu a República.  Já Armando Sales Teixeira foi, em síntese, um especulador imobiliário (grifo meu), influente por ser filho do Ex-prefeito de Nova Iguaçu Manoel Teixeira. Funcionário da Cia. Orácio Lemos, Armando Teixeira foi um dos responsáveis pela venda de lotes da Vila Sta. Terezinha que hoje engloba os bairros de Sta. Terezinha, Centro e Coréia.  
 Linha do tempo 
A partir de hoje vamos fazer uma linha do tempo, com fotos novas a cada semana. assim, você poderá ter uma ideia de a quantas andam as obras no Centro Cultural. Hoje, 20 de agosto, o pessoal da obra concluiu a demolição  do prédio antigo. na próxima segunda-feira teremos outras.


Segunda, 27 de agosto
As fundações começam a ser preparadas es as marcações já estão quase prontas nessa segunda semana das obras.

Marcações e escavações na segunda semana de obras
Segunda, 03 de setembro
Nesta terceira semana e ainda em fase de estrutura, surgem algumas informações importantíssimas em relação ao  Centro Cultural de Mesquita.
A primeira é em relação a transparência nas informações relacionadas à obra. Foi colocada a tradicional placa informativa contendo detalhes quanto ao edital de concorrência, processo administrativo e, sobretudo, custo da obra que apresenta o valor de aproximadamente um milhão e duzentos mil reais.
Outro detalhe relevante, sobre o qual vamos nos deter nesta postagem, é que o Centro Cultural terá como patrono Mr. Watkins, industrial atuante no então 5º Distrito. Como estamos ainda no início das obras, vamos inicialmente elucidar mais um nome, nesse caso o da figura que doravante dará nome ao mais importante símbolo das artes em Mesquita.
informações importantes: custo, fonte dos recursos e nome do patrono  

Wolf White Watkins era um inglês naturalizado brasileiro que viu na indústria seu principal foco de atuação no país. Homem influente e empreendedor, Mr. Watkins não via barreiras para avançar em direção aos que de costume chamávamos de progresso. Em setembro de 1949 o industrial firmava convênio com a então Estrada de Ferro D. Pedro II com a finalidade de escoar sua produção e maquinário. Assim, um desvio na rede ferroviária foi mantida, ligando a SONAREC (Sociedade Nacional Reconstrutora Limitada) à via que possibilitava ligar Mesquita ao restante do Brasil. Entre as atividades da SONAREC a principal era a de manutenção e construção de peças para os trens. Em contrato firmado com a empresa gestora de transportes ele constava como “Diretor-gerente e Chefe Técnico das Oficinas”.


Segundas, 10 e 17 de setembro
 Nessas duas segundas-feiras as obras continuam em fase de estrutura. Segundo o encarregado da atual etapa de obras, deve ser assim durante o restante do mês de setembro. "é a fase mais chata da obra. depois disso, deve acelerar. Sabe como é, "né"? fundação tem que estar firme pra suportar os três pavimentos." diz o encarregado.


24 de setembro a 22 de outubro
Por conta de questões operacionais, tais como espaço útil para trabalho e dificuldades com o terreno, há um atraso no cronograma da obra. “por conta dessas dificuldades, os trabalhos de fundação devem  durar mais uns trinta dias” alegou o mestre da obra.
terreno encharcado - imprevistos no cronograma

Improviso - lentidão por conta das condições de trabalho

Obra e material de construção - área muito restrita
26 de novembro a 10 de dezembro
Como já se previa, de fato a entrega do Centro Cultural Mister Watkins não será feita neste ano. Só agora as primeiras colunas estão sendo erguidas por conta das várias dificuldades. Segundo Alex Oliveira (Engenheiro responsável) as obras devem estar próximo do final lá por meados de março de 2013, caso não haja mais interferências no cronograma.

Contratempos: Aporte de recursos, condições de trabalho e do terreno dificultam obras  
  


Abril de 2014
O ano de 2013 foi marcado por um longo compasso de espera em relação ao Centro Cultural e agora em 2014, com a conquista de um Conselho de Políticas Culturais para nossa cidade, está sendo possível não só discutir mas também acompanhar mais de perto o que se desenvolve em termos de políticas públicas de cultura para Mesquita.

 


As obras estão bastante avançadas, faltando apenas a contra partida da Prefeitura para o acabamento e mobiliário. Nosso desafio agora é a convocação dos artistas da cidade para compor as Câmaras Setoriais, que darão o suporte para a formulação de uma metodologia de gestão para o espaço tão sonhado. Desde já, deixo aqui meus agradecimentos à D. Lili Safra, que vislumbrou na cultura uma forma  lúdica, simbólica e permanente para homenagear seu pai Mr. Watkins, industrial que trouxe muitos empregos para nossa região, sobretudo aos mesquitense, colocando-nos no  topo da cadeia produtiva do Estado durante Décadas. Legítima e merecida homenagem.



Maio de 2014

Agora, com cerca de 90% das obras já concluidas, resta apenas a contrapartida da Prefeitura (cerca de 10% do valor) para que os equipamentos e mobiliários sejam colocados. Resta ainda uma complementação, visando a adequação do entorno do Centro Cutural, o que certamente vai adiar ainda mais a inalguração.


Visão de parte da galeria e palco

Espaço de Convivência - design futurista de bom gosto

Visão da fachada
Dezembro de 2014

A parte externa e fachada já estão prontas, restando agora as adequações do entorno, sem definição ainda de uma data para inauguração. Foi feito um aditivo de recursos que possibilitou enquadrar inclusive melhorias nas ruas ao redor do Centro Cultural. A novidade é o fato ter vinculado o Centro Cultural Mr. Watkins à Secretaria de Educação, sem a possibilidade de atuação de agentes culturais e artistas em agenda que não seja diretamente de cunho educacionais, dentro dos parâmetros da Educação Básica. Tal fato vem gerando uma série de encontros entre Conselho de Cultura, Câmara de Vereadores e secretaria de Educação, no sentido de tentar reverter tal limitação no uso daquele espaço tão esperado.


Fachada pronta e obras do entorno em andamento
Decreto nº. 1546 de 21 de outubro de 2014 - Centro Cultural foi pra Educação

26 de junho de 2015
  
Hoje o dia foi de corrigir detalhes nas obras do entorno e na área interna do CCMW que já está inclusive com o letreiro da fachada. Alguns detalhes positivos e negativos me saltam aos olhos logo na chegada.


Rede elétrica instalada e letreiro já colocado
O aproveitamento do terreno foi algo bastante positivo, no sentido que uma área pequena e restrita pode atender todas as necessidades do projeto básico.


Galeria - não contempla área pra som e luz
São duas áreas de plateia, sendo que a superior também deveria contemplar um espaço para operadores de áudio e luz, com seus respectivos equipamentos, o que aparentemente não está disponíbilizado.


Visão frontal do palco - pouco espaço cênico
Visão da lateral - as cadeiras da direita não têm visão do palco

Logo de cara é possível ver a limitação do palco, que tem quase um terço de sua área tomada pela escada "caracol" que vai até o erceiro piso e o elevador de acesso para deficientes.


Elevador - sem utilidade em caso de falta de energia


 Opção ideal seria a instalação de rampa de acesso devido a pouca inclinação, o que daria autonomia à pessoa de mobilidade reduzida.
Primeira fileira da galeria - muito estreito

Na galeria, a primeira fileira com cerca de vinte cadeiras, com espaço muito curto em relação ao alambrado de proteção. 
Terceiro piso - lindo espaço
 Ese vão livre no terceiro piso dá acesso ao palco. Com uma escada em formato de caracol, o acesso descoberto pode molhar a área interna pois, em caso de mal tempo, não pode ser acessado. Por ser uma área aberta, no verão pode ficar pouco útil por ser descoberto.


Rua com o nome do patrono do Centro Cultural
A Rua Mr. Watkins fica no trecho onde esse grande benfeitor tinha sua fábrica e peças para ferrovia. Por conta dos benefícios em relação ao então 5º. Distrito de Nova iguaçu que inclui também a construção do Tênis Clube de Mesquita, vemos uma justificativa bem plausível para a imposição de D. Lili Safra em fazer melhorias no entorno do centro Cultural.
Arborisação do entorno - imposição de D. Lili Safra
No conjunto das coisas, vemos que a execução das obras e a entrega desse espaço simbólico é de extrema importância para o município de Mesquita. A participação da população e sobretudo dos agentes culturais e artistas da cadeia podutiva da Cultura em nossa Região da Baixada Fluminense. Dito isso, pelo fato de que um espaço dessa natureza vai contribuir para fazer com que Mesquita torne a ser referência cultural inclusive para os municípios do entorno.

30 de junho de 2015

Fui realizada a inauguração do Centro Cultural Mr. Watkins, com ressalvas importantes quanto a participação popular no evento, que ocorreu de forma privada e, segunda a Secretária de Educação Áurea Lobo, assim ocorreu por determinação da Fundação financiadora dos recurso utilizados para execução das atividades naquele espaço. Segue postagem extraída do site da Prefeitura de Mesquita sobre o evento.


Professores de música e Educação artística garantirão as atividades  

Conselho de Cultura preterido: não houve convite formal para a solenidade

Segundo informado pelo administrador do Centro Cultural, não existe ainda um plano de participação dos artistas locais na programação do espaço, contrariando o desejo dos artistas e agentes culturais do município, que defendem a ideia de uma agenda prioritariamente de acesso aos artística e agentes culturais da região, com transversalidade educacional, haja visto que a manutenção do vínculo com a Secretaria de Educação é um desejo do Governo Municipal em detrimento do que a classe artística pleiteia.
Com um quadro funcional  bastante qualificado no que se refere à transversalidade entre educação e artes, será utilizado esse pessoal para dar vida útil ao CCMW, dando acesso aos alunos da Rede Pública Municipal, fazendo circular sua produção artística sem, no entanto, produzir interação significativa com os artistas locais, bem como conhecimento da amplitude dos bens culturais do município de mesquita e região.

http://www.mesquita.rj.gov.br/?p=20405


17 de agosto de 2015

Foi publicado em Diário Oficial do Município de Mesquita a primeira nomeação referente à gestão do CCMW. O servidor Rogério Castro é Arte Educador da Rede Municipal de ensino desde 2006 e o primeiro administrador desse espaço que tem como virtude ter um servidor de carreira, responsável por gerir esse espaço e sua decorrente programação. 


Rogério Magalhães Castro, à frente do CCMW