sexta-feira, 20 de julho de 2012

Mesquita e a cultura que queremos para 2013


Eu como cerimonialista da II Conferência, o então presid. da comissão de cultura da ALERJ Alessandro Molon, Delmar cavalcante, Taffarel, Artur e Sonia Biana

Neste 06 de julho de 2012 teve início a corrida eleitoral nos mais de cinco mil municípios do Brasil. Aqui na Baixada Fluminense tenho acompanhado e entregue, na condição de produtor musical, um número significativo de gingles de campanha, o que tem apresentado um indicador importante. Ao perguntar aos candidatos quais os argumentos e propostas deveriam entrar nas músicas, a maioria deles pára e pensa por alguns bons minutos antes de apontar de forma minimalista a tão famosa dupla saúde e educação como mote de campanha, até que algo mais consistente surja e em muitos casas nem surge. É fato que uma música de campanha tem como principal finalidade fixar na mente do eleitos o fundamental: nome e número do candidato. No entanto, fica claro que a grande maioria sai a caça de votos sem ter efetivamente o que defender caso eleito.  A mim, cabe trazer à pauta da hora o que tem sido fonte de discussão desde o lançamento deste blog: QUEM DEFENDE A POLÍTICA MUNICIPAL DE CULTURA.

Em 19 de maio de 2008 foi protocolado e apresentado no Plenário da Câmara de Vereadores o Projeto de Lei que cria o Plano Municipal de Cultura, que garante a fluência dos bens culturais em Mesquita. Questões como a criação do Sistema de Cultura que abrange Conselho, fundo e plano municipais de cultura vêm sendo debatidos desde então, além de discussões sobre vale cultura, organização de grupos de cultura popular, inclusão digital, passando por discussões sobre direito a memória e a definição do Hino da Cidade. Alguns pontos referentes a gestão da Cultura em Mesquita constam no plano de trabalho de Samuel de Mesquita. No entanto, segue um aprofundamento no que já fui discutido nas Conferências Municipais de 2008 e 2009, bem como o que já vem desde a o encontro Cultura e Cidade, já apresentado neste blog.

CULTURA EM MESQUITA - DE ONDE ELA VEIO, PRA ONDE ELA VAI
Professor Adair Rocha, representante do MinC na II CMC Mesquita

O MinC - Ministério da Cultura em cumprimento à Emenda Constitucional nº 48 no ano de 2005, sistematizou o Plano Nacional de Cultura que estabeleceu diretrizes para as Políticas Públicas de Cultura sobre três pilares fundamentais: dimensão simbólica, dimensão cidadã e dimensão econômica. sob esses aspectos norteadores toda e qualquer ação governamental podem com clareza se aproximar da realidade local. 

Dimensão simbólica da Cultura
Neste mês de julho a UNIESCO  declarou a paisagem do Rio de janeiro como Patrimônio Cultural da humanidade. "Uma imagem vale mais que mil palavras", já se ouve desde sempre, reafirmando que algumas paisagens são diretamente associadas tanto ao povo quanto ao lugar onde vivemos. assim, a questão do meio ambiente no sentido amplo da palavra reflete muito de nossa identidade e, como ocorre com tudo que é belo, é a valorização pessoal refletida no cuidado que traz a beleza necessária para valorização da cultura local.
Um outro aspecto dessa dimensão simbólica é o que diz respeito  as expressões de grupos de Cultura Popular. existe muita divergência quanto ao conceito de cultura vinda do povo. No entanto, de um modo geral isso se reflete em tudo que se aprende, no que se ensina e no que se crê. Assim, todo ser humano é cultural e em muitos casos a cultura cria símbolos imaterias que podem ser percebidos em manifestações populares específicas dentro de uma determinada comunidade. Na Baixada Fluminense o melhor exemplo que temos é o dos grupos de Folias de Reis. Manifestação cultural de origem portuguesa que se utilizam de trechos do evangelho para contar a saga dos Reis do Oriente na busca pelo Cristo, história adornada por batuques e danças de matriz africana. É uma expressão cultural que reflete o sincretismo religioso e a forma como o povo brasileiro demonstra sua fé. No bairro da Chatuba em Mesquita onde encontramos a Folia mais antiga com 140 anos de existência, vemos inclusive os palhaços da folia inserindo passos de funk nas coreografias, o que reflete o modo particular com o qual um grupo local expressa uma linguagem global.

Dimensão cidadã da cultura
Resumidamente, entendemos como cidadania o acesso que um cidadão tem à uma vida social plena. Se uma criança cresce sem uma certidão de nascimento ou qualquer outro documento de identidade dizemos essa criança não é plenamente cidadã pois sem uma documentação mínima não se pode acessar os serviços essenciais ou exercer os direitos aos quais todo brasileiro faz jus. Cidadania cultural então compreende a plenitude do acesso  aos bens culturais que fluem no meio em que vivemos.
Muitos teóricos concordam que é o estado quem deve garantir o acesso aos bens culturais ao cidadão, exatamente por ser o poder público quem zela pelas estruturas públicas, logicamente. Quando se discutia o passe livre para estudantes da Rede Pública de ensino no Estado do Rio de Janeiro, o que estava no centro dos debates não era apenas o ir e vir da escola mas a possibilidade desse aluno poder acessar uma biblioteca, ir a um cinema ou mesmo passear, ampliando sua visão do mundo, o que não era possível sem o mínimo de condições de mobilidade devido as limitações de renda da maioria da população, o que o livre acesso aos meios de transporte poderia resolver facilmente. 
Ex-ministro Gilberto Gil diz que "o ser humano é humano por que produz cultura". No entanto os números do MinC (Ministério da Cultura) são alermantes:

No Brasil, mais de 90% dos municípios não possuem salas de cinema, teatros, museus e espaços culturais multiuso. Decorre daí o fato de que apenas 13% da população freqüentam cinema alguma vez por ano; 60% nunca assistiram a um filme em sala de exibição; 92% nunca foram a um museu; 93,4% jamais foram a uma exposição de arte. Quando se trata de leitura, também há muito que se avançar: o brasileiro lê 1,8 livros por ano, enquanto os colombianos lêem 2,4, e os franceses, 7.

Tais indicadores nos levam a acreditar que sim. É possível avançar a nível municipal, contrariando dados tão duros em relação ao acesso àquilo que é produzido tão perto de nós no que tange a produção cultural. Porém, para que os interesses coletivos sejam realmente compreendido é necessário participação popular nas ações culturais. E isso é possível através do conselho Municipal de Cultura, que é um grupo coletivo e propositivo, inclusive com a atribuição de acompanhar e determinar onde devem ser investido o orçamento da Cultura de uma Cidade, facilitando então o acesso à dita Cidadania Cultural.

Dimensão econômica da cultura
Os números apresentados no tópico anterior são a ponta oposta desta discussão sobre a dimensão econômica da cultura. Ainda que a Petrobras sozinha financie hoje mais de 80% dos projetos culturais no Brasil, vemos concentrados nas grandes metrópoles esses investimentos, sobretudo no eixo Rio/São Paulo e não é por falta de dinheiro que os artistas e produtores não acessam os recursos mas sim por falta de qualificação técnica. No ano passado, em discurso na posse de Sergio Mamberti como presidente da FUNARTE, a Senadora Ideli Salvatti apresentou números que colocavam a chamada Economia da Cultura no mesmo patamar de arrecadação do PIB que a construção civil. Para que se tenha ideia, para a montagem de uma peça teatral de médio porte são necessários iluminadores, sonotécnicos, eletricistas, carpinteiros, maquiadores, cenógrafos, músicos entre outras variantes, de acordo com cada espetáculo.    
Um município, ainda que tenha a infra necessária para a construção de um teatro, pode lançar mão de parceira com espaços privados ou até alternativos como linas de circo, caminhões adaptados ou até mesmo a praça. cabe ao poder público criar dispositivos legais que garantam a fruição de recursos financeiros de maneira transparente e participativa, como é o caso do Fundo Municipal de Cultura. Com ele, artistas, produtores ou grupos de cultura popular da cidade podem acessar recursos no formato de Micro Projetos para montagem de espetáculos, shows ou atividades de capacitação, possibilitando uma maior visibilidade do fazer artístico e consequentemente garantindo autonomia dos agentes culturais locais.

Fomento à organização social da Cultura
No último encontro do Cultura e Cidade em 2005, estava consolidada a ideia de  fóruns setoriais permanentes no campo da Cultura. em 2008 houve a separação entre Educação e Cultura em Mesquita que, em decorrência disso, realizou a I Conferência Municipal de Cultura com um caráter meramente festivo, haja visto que o evento ocorria nos primeiros meses da instalação da Secretaria. Já a II Conferência Municipal de Cultura realizada em 2009 foi de fato propositiva. Foram utilizados como referência os eixos temáticos do Encontro Nacional de Cultura daquele ano como forma de dar orientação, podendo ser adaptados os pontos municipais discutidos em grupos de trabalho. 
Daquele encontro foram tiradas algumas deliberações para serem postos em prática. São eles:
Produção Simbólica e Diversidade Cultural
1 - Buscar parcerias que invistam em tecnologia que democratize o acesso a internet a baixo custo bem como a gratuidade nos bairros de menor IDH dentro do município;
2- priorizar a criação de projetos voltados para a compreensão e fortalecimento da diversidade cultural de Mesquita e da Baixada Fluminense, considerando as várias influências existentes;
3 - Criar mecanismos de fortalecimento das ações dos movimentos de identidade culturais de forma pedagógica na rede pública de ensino no município, seja ela Municipal ou Estadual;
4 - Intensificar a proposta pedagógica de conhecimento da história da Cidade de Mesquita na grade curricular do Município;
5 - Fomento a ações culturais que conscientizem a população sobre a preservação ambiental e a paisagem urbana; 

Cultura, Cidade e Cidadania
1 - Criação do conselho municipal de cultura;
2 - Criar pólos culturais nos bairros para debates, encontros e apresentações artísticas nos moldes dos Pontos de Cultura;
3 - Garantir aos alunos da rede pública transporte para eventos culturais do município e fora dele, que possibilitem seu desenvolvimento intelectual; 
4 -  Potencializar com critérios claros a ocupação dos espaços públicos com atividades dos diversos movimentos culturais locais;

Cultura e desenvolvimento sustentável
1 - Criação de projetos que visem o desenvolvimento turístico cultural ou religioso na área de proteção ambiental (apa) de modo sustentável, mantendo o equilíbrio ecológico;
2 - Criação e implementação de lei de incentivo fiscal para comercio, prestadores de serviço e indústrias do município, no sentido de incentivar parcerias com os movimentos culturais e artísticas locais;
3 - Criar núcleo permanente municipal de assessoria técnica e administrativa em gestão cultural e capacitação para captação de recursos;
4 - Criação de programas de micro-crédito para aquisição de equipamentos, através de parcerias ou convênios com entidades financeiras, para empreendedores e/ ou movimentos culturais;

Gestão Institucional da Cultura
1 - Instituir concurso público para servidores de cultura para atuarem na área de: produção cultural, patrimônio cultural (historiador), e outros afins;
2 - Dar caráter deliberativo ao Conselho de Cultura, tornando-o o principal interlocutor entre sociedade civil e poder público no campo da Cultura;
3 - Desenvolver critérios democráticos a partir do Cadastro Cultural do Município, para seleção e participação de artistas locais nos grandes eventos da cidade;
4 - Garantir mínimo de 1% de verba orçamentária municipal para a cultura;
5 - Criação do Centro Cultural da Cidade;
6 - Constituir Editais anuais de fomento artístico-cultural.

Essas foram as deliberações dos diversos seguimentos da sociedade civil e Governo Municipal na II Conferência de Cultura em 2009, que vão de encontro aos ditames da Conferência Nacional e do Plano Nacional de Cultura. Acredito que a discussão levantada aqui possa contribuir para o encaminhamento das propostas nesta campanha eleitoral e para que se construa uma política de Cultura consistente para 2013 na cidade mais nova do Brasil e até mesmo como contribuição para os demais município da Baixada Fluminense. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Morre o mais conceituado historiador da Baixada Fluminense - Ney Alberto

A Baixada Fluminense perde seu mais querido historiador
Prof. Ney Alberto sendo entrevistado por grupo de alunos - foto: flickr.com 

O Professor Ney Alberto, falecido na sexta-feira, dia 22 de junho, é um grande exemplo que fica para quem tem paixão por nossa história. Licenciado em História pela Universidade Gama Filho, acumulou durante décadas de pesquisa u número impressionante de documentos, muitos deles de fonte primário (documentos originais) que traduzem os fatos que mostram Nova Iguaçu com sua face clara e compreensível sobretudo ao leigo ou estudantes locais. Em particular interesse, teve na oralidade e na pesquisa iconográfica sua grande paixão. Com uma criatividade sem par, Ney Alberto forjou uma didática própria para promover a memória local, sobretudo aos jovens que, segundo ele, deveriam ser contagiados pela paixão de ser da Baixada Fluminense e isso somente seria possível com informação e memória. Fotos de times de futebol, passando pelos clubes e bailes, até documentos e tijolos são recursos utilizados para retratar a memória da Baixada Fluminense. E o que não lhe faltava eram sambas, contos textos teatrais e crônicas, ilustrando seu ponto de vista sobre a História Local.
Em um bate descontraído papo no final de 2011, em sua sala que então  se localizava nas dependências do que hoje é o Centro Cultural de Nova Iguaçu, Ney Alberto falava da possibilidade de cria um Centro de Memórias de Mesquita no bairro Banco de Areia, faltando alguns detalhes para a cessão do espaço, o que não houve tempo de concretizar.
Artigo publicado no Globo Baixada
Em seguida vai um papo com Ney onde ele mesmo explica de maneira até engraçada como adquiriu a deficiência no rosto.
http://www.youtube.com/watch?v=kO2-yTJ2zWY&feature=plcp

Segue abaixo biografia de Ney Alberto escrita por Gêneses Torres:

Carinhosamente chamado de professor Ney Alberto (Gonçalves de Barros), nascido em 27 de setembro de 1940. Filho de Alberto Gonçalves de Barros e Eufrozina Prado de Barros. Ney era reconhecidamente pela comunidade acadêmica da Baixada Fluminense como o guardião da memória da vida regional. Procurou durante toda a sua vida dedicar aos estudos regionais. Terminou sua vida numa sala no Centro de Memória Avelino Martins Azevedo que funcionava no Espaço Cultural Sylvio Monteiro.
Baixada Fluminense. Conversamos muito, fizemos muitos planos, entre eles o de criar o Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada Fluminense (IPAHB). Um sonho em parte concretizado e que teve no Ney um de seus grandes baluartes. Ney foi tesoureiro, secretário e vice-presidente, hoje fazia parte do Conselho Fiscal e do departamento de pesquisas do Instituto.
Ney foi em vida o que podemos chamar um ser multicultural e interdisciplinar. Acreditava que a cultura é a mãe de todo saber e profetizava: “A primeira coisa que deveríamos fazer na educação seria mudar o nome de Educação e Cultura para Cultura e Educação porque a Cultura antecede a instrução.”
Era formado em Licenciatura Plena em História pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Rio de Janeiro (Sociedade Universitária Gama Filho) e Bacharel em Direito pela Sociedade de Ensino Superior de Nova Iguaçu (SESNI). Possuía cursos de extensão em Teoria e Método em Arqueologia das Américas – Sociedade dos Amigos do Museu Nacional – RJ. Curso de Pré-história brasileira – Sociedade dos Amigos do Museu Nacional e Curso de Extensão Universitária: Antropologia Física e Cultural (F.F.C. e L. do RJ) – Gama Filho.
Na sua militância em prol da cultura exerceu as seguintes atividades: Presidente do Instituto Histórico de Nova Iguaçu; Membro da Ala de Compositores da Escola de Samba Beija-flor de Nilópolis; Compositor e autor musical filiado a SICAN; Professor de História da Prefeitura de Nova Iguaçu e Pesquisador Independente sobre a História da Baixada Fluminense.
Ney foi autor de inúmeras músicas e enredos no mundo do samba. Tinha o livre trânsito entre renomados sambistas e compositores. Respeitado entre memorialistas na acepção mais pura da pesquisa histórica. Tinha aversão velada às discussões sobre a baixada que não trouxesse conteúdo sem fundamentação científica. Crítico contumaz àqueles viviam inventando história para a Baixada. Não tinha paciência com a ignorância e com os incautos. Esbravejava diante dos políticos aproveitadores. Foi amigo pessoal de Sebastião de Arruda Negreiros, considerava um político sério, um dos melhores que passou pela sua terra. Dele, foi seu chefe de gabinete em 1958.
De todos os seus amigos de convivência nos anos 60 e 70, o seu maior e mais próximo foi Waldick Pereira. Fizeram juntos muitas pesquisas de campo, produziram e salvaram um grande número de documentos perdidos nos porões dos arquivos públicos que falavam da Velha Iguaçu. Produziram o livro a Mudança da Vila, um clássico da literatura histórica iguaçuana.
Fundaram na década de 1970 o Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu. Um sonho que acalentou durante toda sua vida e que acabou morrendo nos porões do Colégio do Professor Ruy Afrânio, com quem conviveu por longos anos. Ney tinha críticas ao Professor Ruy, mas o respeitava e com ele tinha uma carinhosa convivência. Tive o prazer ao lado de Guilherme e Rogério Torres de presenciar até o fim de sua vida esta relação.
Ney era assim. Admirava o trabalho das pessoas na sua luta pela preservação do passado, fazia a crítica necessária e sabia que o crescimento de nosso conhecimento sobre a regionalidade era fruto de nossos métodos interpretativos. D’ai ser implacável com os ditos novos historiadores regionais, quanto faltava com o carinho que a historiografia merecia.
Sua convivência com a imprensa nos últimos anos não foi muito boa, conversávamos muito sobre isso, a cada entrevista os fatos históricos eram distorcidos, muita entrevista e pouco conteúdo, achava que a imprensa não estava somando para fazer crescer a consciência histórica na preservação do patrimônio histórico. Esta questão o angustiava, em ver o tempo passar e a cultura ser colocada a cada entrevista na sala do lixo. A porta de sua sala estava aberta para estudantes do ensino fundamental e médio e fechada para a imprensa.
Seu trabalho no dia a dia pode ser assim resumido em um pensamento dito por ele: “Eu sempre me senti realizado porque eu trabalho me divertindo e me divirto trabalhando”.


Moduam Matos também escreveu um artigo sobre Ney Alberto publicado no dia 01/07/2014 no Jornal de Hoje 




terça-feira, 19 de junho de 2012

Nações Indígenas na Rio+20


Diversas Nações indígenas fazem passeata na orla do Rio

Por: Alvaro Maciel*

Nesta segunda feira 18/06, a rotineira manhã da orla da Glória até o Centro foi interrompida. Com arcos, flechas e tacapes em punho homens e mulheres indígenas fecharam as ruas transversais à Av. Beira Mar e abriram caminho para a maravilhosa manifestação dos verdadeiros donos das terras do Brasil. Tentei falar com alguns, eles não aceitam a idéia de que Pedro Álvares Descobriu o Brasil. “Isso não, isso não!” As faixas reivindicavam a marcação dos territórios indígenas. Cantos, flautas e ritmos marcados com os pés e chocalhos. Tive receio de confronto com os motoristas, mas tudo ocorreu bem. Ontem, tivemos as Mulheres e os Sem Terra. Infelizmente os grandes jornais não querem fazer a cobertura desses momentos maravilhosos e quando o fazem valorizam mas o "transtorno causado no trânsito" do que a causa da luta do povo brasileiro. A manchete dos grandes jornais , como sempre inverteram o grau de importância dos fatos: "Manifestação dá nó em transito no Centro do Rio" e a ilustração é uma foto de diversas fileiras de carros (rs). Vamos protestar, pessoal! Globo, SBT, Band e Record... temos que botar tudo no mesmo saco e jogar fora no lixo.

*Alvaro Maciel é funcionário da FUNART, compositor e Secretário de Cultura do PT/RJ 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Crime ambiental em Mesquita

Morador faz cômodo dentro do Rio do Socorro ignorando ordem judicial

A idéia de crime ambiental para muito de nós parece algo distante pois o contexto brasileiro enfatiza os desmatamentos e abusos contra a fauna. No entanto esse discurso pode estar mais perto do que imaginamos.  Nas áreas urbanas vemos um sem número de infrações cometidas por cidadãos comuns, bem diferentes da ação dos grandes latifundiárias da região Amazônica. O Brasil tem a maior floresta urbana do mundo e junto com ela vem a histórica ocupação de áreas nobres. Ocupação essa feita não somente por gente pobre mas, dependendo da área, principalmente por gente abastada financeiramente. Na Baixada Fluminense, exatamente por conta da ocupação desordenada a partir dos anos 80, vemos verdadeiras atrocidades pelos municípios da Região.


Casa com cômodo construído no rio


Em Mesquita, o que foi um flagrante de despeito, depois de exatos dez anos está sendo demolido como exemplo do que é possível no cumprimento da Lei. O cidadão conhecido como Sr. Alex vem sendo processado desde 2002 quando ocorriam as obras do Programa Nova Baixada. Na ocasião, o morador impediu a demolição de parte de seu imóvel que fora edificado literalmente dentro Córrego do Socorro, divisa entre os bairros Chatuba e Edson Passos. Com a decisão favorável ao Município, a parte do imóvel situado dentro do córrego foi posto abaixo por equipes da Defesa Civil e da Secretaria de Obras.
“Quando eu assumi meu cargo aqui na Prefeitura o processo já estava em andamento. Por ser policial e sempre receber os técnicos armado, o morador sempre impedia a ação, o que agora, com o auxílio do Ministério Público, foi finalmente possível” diz Daniele Peres, fiscal de Meio Ambiente.

Equipe da Defesa Cilvil e Secretaria de Obras na demolição


Segundo Jorge Peruá, também agente ambiental e morador de Mesquita desde nascido, é um costume dos moradores descartar dentro dos rios e córregos tudo o que não querem mais. “de cada dez caminhões de entulhos recolhidos dos rios, seis são de objetos domésticos como colchões e móveis”, diz Peruá, responsável por acompanhar das ações do Estado em toda bacia hidrográfica de Mesquita.
O fato é que os cerca de dezessete rios e córregos que fluem por Mesquita vêm recebendo o status de valão por moradores, daí a falta de respeito e vínculo afetivo com esses veios d’água. Infelizmente, a falta de consciência e informação leva a administração Pública a tomar atitudes mais contundentes.


O INEA tem sido uma importante parceria na regularização na situação dos rios em Mesquita. Jorge Peruá, Agente Ambiental e importante elo de ligação entre esse Órgão Estadual e a Prefeitura, diz ser uma luta diária a questão da preservação dos veios de água no município. "A população tem que contribuir. Não dá pra pensar que o rio não pertence a ninguém" diz Peruá.
As ações da equipe de fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente continuam.


Em parceria com INEA  Mesquita consegue minimizar o impacto
O rio foi desobstruido. No entanto, continua o despejo de esgoto

Página de uma publicação da Secretaria de Meio Ambiente - Cuidado especial com rios córregos

Defesa Civil, Guarda Municipal e Trânsito - auxílio no cumprimento da Lei

Uma articulação bastante positiva foi fundamental para resolver o problema de mobilidade da força de Segurança Pública do Município. 17 veículos foram doados pelo Governo do Estado à Prefeitura de Mesquita. Com um considerável tropa composta por Guarda Municipal, Agentes de Trânsito e agentes de Defesa Civil, faltavam veículos que possibilitassem o deslocamento desse efetivo, o que garantirá um efetivo apoio às ações administrativas, sobretudo de fiscalização e cumprimento das determinações que garantam cidadania e preservação de um ambiente seguro e saudável.
Veículos cedidos pelo governo do Estado - mais mobilidade e agilidade

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A Diferença entre violoncelo e contrabaixo

Violoncelo e contrabaixo - uma confusão antiga

Sou contrabaixista há uns vinte anos e é comum ouvir elogios ao som do “violoncelo” ao fim de uma apresentação minha. Aos não iniciados nos conceitos básicos da música bem como aos que nunca assistiram a uma audição de um conjunto de cordas , é impossível fazer a devida analogia e diferenciação entre violoncelo e contrabaixo, exatamente pela falta de contato - visual e sonoro - com os  mesmos. Neste artigo venho trabalhar exatamente as diferenças e afinidades entre esses dois instrumentos.

O livro Instrumentos da Orquestra, de Roy Bennett, de 1985 da Editora Jorge Zahar, é muito utilizado em aulas de iniciação musica, sendo então  a referência bibliográfica mais recomendada para esse tipo de assunto exatamente por possibilitar um bom entendimento das características básicas de cada instrumento individualmente, possibilitando um bom     entendimento ao leitor do que seja cada um deles. 




Contrabaixo no chamado "clássico" e no popular




Eu na Sinfônica da UFRJ (já faz muito tempo)               
com Pedro Portela em um bar na Pça. Mauá

Show de rap - contrabaixo com arco

Com o maestro Iracito ao Violoncelo, na Escola Municipal de Música de Meriti.
Orquestra Sinfônica de SJ de Meriti - Contrabaixo, Cello e violinos

Tanto o contrabaixo quanto o violoncelo são instrumentos construídos para utilização em orquestra. Somente a partir do período Moderno da história é que eles substituíram a viola da gamba e suas variantes, tão comuns até o fim da do período Medieval. Adequações foram feitas na França, de maneira que chegassem ao formato de hoje. O contrabaixo por exemplo, tomou esse formato menos abaloado para possibilitar os solos em regiões menos graves do instrumento e, da mesma forma, o violoncelo tomou esse formato para ficar um pouco mais parecido com o violino, que tem sua aparência atual desde muito mais tempo.

It's not a cello - quando o contrabaixista perde a paciência*


Ambos os instrumentos oferecem uma ampla utilidade na música tanto gênero popular quanto no erudito. A característica particular de ambos que utilizam bem a região grave, tendo amplas aplicações na região média onde o ouvido humano trabalho utilizando a maioria dos sons do ambiente, fazem com que esses dois instrumentos musicais sejam imprescindíveis em qualquer que seja o arranjo ou composição.
Além dessas definições técnicas de Roy Bennett, segue também uma série de vídeos que separei para ajudar a ilustrar a aplicação desses instrumentos bem como suas possibilidades sonoras.


Contrabaixo no erudito
Rinat Ibragimov – Concerto em Ré maior de Vanhal
Bottesini - solo
Contrabaixo popular
Ron Carter – música Blue note, de  Herbie Hancock
Conjunto de contrabaixos – Vienna 2005

Violoncelo erudito
Mstislav Rostropovich-Preludio Suite No. 1 para Cello de Bach
Kodaly Cello Solo Sonata, III Mov, Allegro Molto Vivace: Santiago Cañón

Violoncelo popular
Jaques Morelenbaum – Pecado, de Caetano Veloso
Yo Yo Ma – Brasileirinho

Blogs interessantes para pesquisar:
Contrabaixo
- Minha amiga Voila Marques
http://www.voilamarques.com/
Violoncelo
- Felipe Brandão
http://violoncelosdemaceio.blogspot.com.br/

* https://www.wattpad.com/story/92013608-it%27s-not-a-cello

Meu contato: ivancultural@gmail.com 
UM GRANDE ABRAÇO! 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Cultura na Copa


 MinC debate a inserção de arenas culturais na Copa 2014
Ministério da Cultura inova inserindo elementos da Cultura Popular Brasileira e manifestações artísticas regionais nas atividades paralelas à Copa 2014

Morgana Eneile em reunião do Grupo de Trabalho
Para a bola rolar nos campos dos estádios brasileiros na Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e na Copa das Confederações, em 2013, ainda falta tempo. Para as estratégias da cultura nacional para este período, no entanto, a bola já está em jogo e nesta terça-feira, 8 de maio, teve inicio a oficina de planejamento do grupo gestor da Cultura na Copa, realizada pelo Ministério da Cultura (MinC) com a participação de representantes das 12 cidades-sede.
Na abertura do encontro, em Brasília, o secretário-executivo do MinC, Vitor Ortiz, chamou a atenção para o que vem sendo noticiado na mídia a respeito da Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Ele citou as preocupações com infraestrutura de transporte, aeroportos e hospedagem e questionou a falta de interesse no que se refere à imagem do país em termos da Cultura e características do povo brasileiro.
“Vamos jogar de uma forma objetiva, direta e arrojada para que possamos garantir a oportunidade que esse momento vai oferecer para abrir espaço para a expressão mais genuína da diversidade cultural brasileira. Essa é uma missão junto aos governos estaduais e municipais para que a área cultural esteja atuante neste momento importante da vida brasileira”, declarou Vitor Ortiz.

Planejamento
A intenção é que ocorram encontros mensais do comitê gestor e que a cada reunião sejam avançadas as metodologias, estratégias e ações. O grupo, que reúne os gestores culturais dos estados e municípios sedes da Copa e o Ministério da Cultura, volta a se reunir em 18 e 19 de junho. O grupo gestor foi criado para discutir ações específicas da area cultural aprovados na Câmara Temática de Cultura, Educação e Ação Social.
“Não daremos fórmulas prontas, há diretrizes e eixos norteadores, mas as formas de execução serão compostas ao longo desses encontros, pois cada estado tem suas realidades e essas especificidades serão levadas em conta ao longo do processo”, disse a coordenadora do Grupo de Trabalho Copa MinC, Morgana Eneile. Agora, os estados farão reuniões locais e a intenção é que, no próximo encontro nacional, já tenham indicações de locais dentro das cidades-sede que possam abrigar as Arenas Culturais. Cada sede deverá seguir sua realidade para a escolha.

Espaços coletivos
As Arenas Culturais serão espaços coletivos de convivência e fruição imersiva de conteúdos culturais, com base em quatro focos: Brasil Diverso; Brasil Audiovisual; Brasil Criativo e Brasil das Artes. A proposta é reunir em 12 espaços simultâneos mostras e circulação da produção cultural brasileira, seja ela na gastronomia, design, moda, dança, teatro, música, dentre outras áreas.
A proposta é de que a programação das Arenas seja compartilhada e composta de 50% de atrações nacionais e 50% de atrações locais selecionadas em editais públicos, em circulação pelos espaços. “Sem dúvida, as Arenas Culturais serão espaços de promoção e difusão de nossa diversidade cultural. O turista que estiver em Manaus ou em Porto Alegre terá a oportunidade de comer acarajé, dançar catira, enfim, ter contato com as mais variadas expressões culturais de nosso país”, enfatizou Débora.
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fonte:
*Câmara Temática de Cultura/Copa 2014
* MinC

terça-feira, 8 de maio de 2012

Mesquita realiza Passeio Histórico Cultural

A Secretaria Municipal de educação do Município de Mesquita tomou uma iniciativa extremamente relevante para a preservação de nossos valores históricos. Em um roteiro dinâmico e expositivo em forma de passeio com a orientação do professor Tuna (Antonio Carlos) são apresentados pontos relevantes da História da Município. Segue abaixo o conteúdo dessa atividade.


Professor Tuna mostrando uma urna Tupi 

A secretaria de Educação tem o prazer de convidá-los para participar do III Circuito Histórico Cultural do Município de Mesquita que os levará a conhecer um pouco mais do município onde trabalham.
Durante o circuito histórico, serão visitados “lugares de memória” do município, que guardam informações importantes da história local, proporcionando uma verdadeira viagem no tempo, de volta ao desbravamento das terras dos indígenas que aqui viviam, dos portugueses que desejavam colonizá-la e dos negros africanos que contribuíram com sua mão-de-obra e inteligência para erguer a empresa colonial, início de tudo.
As aulas-passeio têm como público-alvo Professores Coordenadores Pedagógicos (PCPs) e demais docentes da rede e objetiva levar os profissionais a conhecer melhor a realidade dos seus alunos, através da história local e da interdisciplinaridade.
A primeira aula aconteceu nos do 04 de maio onde os professores visitaram a Igreja Nossa Senhora das Graças, a antiga capela da fazenda da cachoeira e a Gleba Modesto Leal, foi um sucesso! A próxima aula-passeio será no dia 22 de maio, em dois horários: de 07:30 as 11:30 e 13:30 as 17:30. Nesse dia serão visitados outros lugares do município. (programação a baixo)
Inscrições serão limitadas e feitas através do telefone: 3763-6044 / 3763-3616 (Professor Antônio Carlos) e/ou e-mail: projetoseducacao@mesquita.rj.gov.br
Será emitido certificado de 4h para os participantes.
 Na igreja N.S. das Graças - visão geral da Cidade

Os pontos de encontro/saída do ônibus serão sempre:
·    Dia 04/05 Paço municipal às 07:30 (turno da manhã) 
    e às 13:30 (turno da tarde)
·  Dia22/05 Praça da Telemar às 07:30 (turno da manhã) 
   e às 13:30 (turno da tarde)

Vídeos com partes do evento realizado no último dia 04 de maio 2012:
Quilombos na Baixada
http://www.youtube.com/watch?v=lBfWciJ2AKo
Nações indígenas
Casarão Dom Felipe e D. Eugênia
Com o professor Tuna e outras professoras da Rede Municipal


PROGRAMAÇÃO COMPLETA:
jacutinga: Genericamente chamados de “índios”, os jacutingas, fazem parte do tronco lingüístico tupi. O significado da palavra faz alusão a uma extinta ave bastante comum na região.

Casa da Laranja : Pertenceu a um austríaco que chegou aqui na década de 30 tornando-se o maior citricultor da região. Na década de 40 a produção de laranja decai e as terras são loteadas. A casa que serviu de residência para o austríaco conserva características arquitetônicas da época dos laranjais.

Olarias : Empreendimento que espalhou-se pela baixada , graças a excelente viscosidade de seu solo argiloso, no fabrico de telhas que eram despachadas para Corte e outras regiões de consumo.

Estação Ferroviária de Rocha Sobrinho  Sua construção foi iniciada em  02 de fevereiro de 1892, ligando o trecho que partindo do Rio de Janeiro ia ao encontro das margens do Rio Paraíba do Sul, para transporte do café. O transporte de passageiro foi inaugurado em 27 de julho de 1910, dentro do trecho conhecido como “Circular da Pavuna”, que obedecia em Barros Filhos, o comando da chave do desvio, paralelo aos trilhos.