sábado, 3 de fevereiro de 2018

4ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DE CULTURA - RJ



Esse é um momento de consolidação de crise e incertezas no campo da política, no estado do Rio de Janeiro.  Em um momento ímpar de convergência, sociedade civil, representada pelo Conselho Estadual de Politica Cultural - RJ, juntamente com a Secretaria de Estado de Cultura, fazem história, andando de mãos dadas, para viabilizar de forma exemplar o que a democracia determina.
Segue abaixo texto produzido por Cleise Campos (Superintendente de Políticas Culturais da SEC-RJ), em relação ao que representa e o que devemos esperar da 4ªCEC-RJ
  
O Estado do Rio de Janeiro aprovou em 2015 a sua Lei de Cultura, garantindo a implantação  do Sistema Estadual de Cultura RJ (Lei 7035/2015), com notada mudança no âmbito das políticas culturais, agregando os 92 municípios em prol da cultura fluminense. Dentre as peças integrantes do Sistema Estadual de Cultura do RJ (SIEC RJ), localizam-se as Conferências municipais, intermunicipais, regionais e a estadual de cultura. 
Cleise Campos e Ivan Machado - logomarca da 4ªCEC-RJ
As Conferências são espaços destinados ao encontro da sociedade civil e poder público, com o objetivo de debater e propor políticas, com programas a serem aplicados. É fundamental espaço para avaliação  das políticas públicas, considerando o que foi implementado para gerar novas ações. A 4ª Conferência Estadual de Cultura do RJ é momento  de consolidação da política cultural vigente, com interação dos protagonistas do setor, onde se “confere” o que foi realizado, projetando o que virá, e ainda, a eleição de delegados para etapa Nacional.
 As propostas em discussão na 4ª CEC RJ tem um peso relevante no cumprimento do Plano Estadual de Cultura do RJ, aprovado como anexo único da Lei 7035/2015, em especial, o acompanhamento das metas e ações no  conjunto de diretrizes e estratégias distribuídas nos seis eixos temáticos. Também em pauta a apreciação dos Planos Setoriais dos Segmentos Artísticos e dos Planos Regionais, outras peças integrantes do SIEC RJ.
 Com a convocação da 4ª Conferência Estadual de Cultura publicada recentemente no Diário Oficial do ERJ, os municípios que realizam  suas conferências municipais devem estar em sintonia  com o  Sistema Estadual de Cultura do RJ (SIEC RJ), dialogando com  o tema e sub temas da etapa estadual e nacional. A Secretaria de Estado de Cultura do RJ (SEC RJ) disponibiliza nos próximos dias um manual com passo a passo para auxiliar  na realização das conferências municipais, importante iniciativa de algumas cidades na realização dos seus encontros locais. 
 Nesse calendário valoroso de conferências, em articulação direta com o Sistema Nacional de Cultura, cabe bem resguardar atenção ao chamado “CPF da Cultura”, em referência a instalação e funcionamento do Conselho, Plano e Fundo de Cultura, fortalecendo uma dinâmica sistêmica das políticas culturais em todo Estado e no Brasil.
 As etapas regionais nos meses de fevereiro, março, abril e maio além da etapa final da 4ª CEC RJ de 2018, nos dias 01 e 02 de junho, sob coordenação da SEC RJ, envolvem vários parceiros, com destaque para Entidades Culturais, Movimentos de Cultura, Artistas, Produtores e Animadores Culturais, Arte Educadores, Pesquisadores, Instituições de Ensino, Conselho Estadual de Política Cultural do Rio de Janeiro (CEPC RJ), Prefeituras e Ministério da Cultura. 
 Para mais informações sobre as conferências, e ainda, conhecer em  detalhes o funcionamento do Sistema Estadual de Cultura do RJ, suas outras peças integrantes e demais instrumentos de gestão (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do RJ e o Programa Estadual de Formação e Qualificação Cultural do RJ), acesse o portal Cultura.RJ
 Desânimo com a política Brasil? Alto grau de desestimulo com o ano eleitoral? Compreensivo. Bastante compreensivo (às vezes cansa de muito). 
Mas ainda assim, uma ponderação: Atravessamos nos recentes anos positivo  momento de transformação na política cultural fluminense, a partir da aprovação da Lei 7035/2015. Tal momento pode ser ainda mais ampliado, uma vez apropriada a Lei de Estado de Cultura RJ - Garantia de mais acesso as artes e aos bens culturais para tod@s, onde a cultura se configura como vetor fundamental de desenvolvimento, em boa composição com o exercício da cidadania. Cultura é direito.

Participe da 4ª CEC RJ: Vamos conferir? 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CEPC: Novos e antigos rumos para a Cultura no Estado do Rio de Janeiro


No dia 31 de outubro de 2017 foi eleita a nova presidência do Conselho Estadual
de Políticas Culturais, tendo Ivan Machado como residente e Geiza Ketti como vice-presidente. Em uma eleição realizada entre seus membros, o CEPC elegeu a Chapa 2 com maioria de votos,  com posse festiva realizada no Cultural Bar (Nova Iguaçu), no dia 14 de novembro, de modo a manter uma aproximação entre gestores públicos de cultura e sua base social, além de configurar um tipo de relatório de gestão do primeiro período, quando o governo ocupava a presidência do Conselho, na pessoa da artista bonequeira e professora Cleise Campos. Na ocasião foi também entregue o prêmio Música.com a Rogério Costa, por fomentar a fruição da obra musical de compositores de dentro e fora da Região da Baixada fluminense. Nesse dia 14 esteve presente o então Secretário de Estado de Cultura André Lazaroni, além de Zaqueu Teixeira, Presidente a Comissão de Cultura da ALERJ.

Geiza Ketti ao lado de Ivan Machado, tendo Lazaroni ao fundo (foto: Jorge Ferreira)

 Conforme previsto em seu Regimento Interno, o CEPC inicia a segunda metade do biênio 2016-2018 tendo a sociedade civil à frente da mesa diretora, exatamente no momento em que se iniciam as movimentações na direção da realização da 4ª Conferência Estadual de Cultura. Desde 2015, quando foi publicada a Lei 7035/15, que versa sobre o Sistema Estadual de Cultura, muito se avançou em relação a consolidação de questões relacionadas ao SIEC. No entanto, o entendimento do CEPC é que o ano de 2017 trouxe importantes avanços para o conjunto de  marcos regulatórios da Cultura. 

terça-feira, 19 de julho de 2016

A ORDEM NO CAOS DE BISPO DO ROSÁRIO

Por Ivan Machado
“A obra de arte  está irremediavelmente atada à vida”
Frederico Moraes

Sergipano, nascido em 06 de janeiro de 1909, Manoel Bispo do Rosário viveu
durante cinquenta anos na colônia Juliano Moreira, para onde foi transferido em 1939. Com diagnóstico de esquizofrenia de paranoia, Bispo do Rosário passou sete anos trancado voluntariamente em sua cela, onde afirmava ter recebido uma mensagem divina na qual dizia que deveria se preparar para o fim do mundo. Nesse período, uma extraordinária quantidade de peças artísticas foram produzidas, despertando o interesse de um grande número de críticos de arte contemporânea, embevecidos por seu magnífico trabalho cheio de detalhes. Em 1980, durante uma matéria do fantástico abordando a questão das péssimas condições de vida nos manicômios, Bispo do Rosário foi descoberto, trazendo ao restante do mundo a grandiosidade de um artista em seu mundo de caos.
A grande maioria de suas obras são seriadas, suscitando questionamentos quanto às motivações dessa prática. Se por um lado se atribui que o transtorno obsessivo compulsivo pode ter gerado ideias repetitivas, por outro lado, cabe lembrar que Bispo foi marinheiro, com uma rotina repetitiva, como de praxe da profissão. Também por esse motivo ultimo, é possível entender seu nível de conhecimento geral, tendo em vista as constantes viagens que fazia pela Marinha do Brasil, o que se reflete nos fardões por ele confeccionados, sem uso de matéria prima especificamente adquirida para esse fim, dando lugar a fios retirados dos uniformes dos internos, daí o constante tom de azul em muitas de suas obras, sobretudo as de tapeçaria.
Não somente os bordados, mas um grande número de esculturas e instalações foram produzidos por bispo, que teve sua sela transformada em um verdadeiro espaço de exposição, haja visto que foram produzidas ali praticamente todas as suas obras. Nesse sentido, Bispo do Rosário era diferenciado, no sentido de impor seu lugar e expressar sua arte em meio às adversidades, o que lhe serviu como uma forma muito particular de emancipação.  Segundo Flávia Corpas, a arte possibilita repensar a relação entre sujeito e objeto, no sentido que a arte o fez repensar seu lugar, dando-lhe novo significado. De tal modo que Bispo tinha a chave de sua sela.
Falecido em 05 de julho de 1989, Artur Bispo do Rosário não teve sua obra ligada à loucura, mas como expressão da ressignificação do objeto no espaço. Psiquiatras que lidam com a arte descreveram seu trabalho como a obra de um homem, acometido de diversidades como qualquer outros, seja ele desempregado, deficiente físico ou cego. O fato é que Bispo do Rosário encontrou na arte o caminho de sua libertação interior, de tal modo que o Museu bispo do Rosário é o único no mundo instalado em uma instituição para doentes mentais, aberta à admiração publica.


A Roda da Fortuna de Bispo
A forma como Bispo do Rosário se expressava era a mais pura forma de composição artística. Não é incomum que sejam feitas comparações com outros conceituados nomes da arte contemporânea, como o que ocorre com a obra acima. Ainda que existam similaridades com a obra modernista de 1913 de Marcel Duchamp, cabe lembrar que a obras de Bispo foram elaboradas com a utilização de materiais reaproveitados do interior do espaço de seu internato. A genialidade que emerge de seu subconsciente intriga e encanta acadêmicos que se deparam com seu fazer artístico, como vemos no relato de Alfred Braga:

É claro que a simples justaposição das fotografias da Roda da Fortuna, de Bispo do Rosário, e da Roda de Bicicleta, de Marcel Duchamp, não autoriza ninguém a teorizar sobre semelhanças, nem sobrecoincidências significativas, ou arquétipos, ou inconsciente coletivo. Mas, talvez nas enormes distâncias entre esses dois artistas é que repouse uma esquisita proximidade que vai provocar, naqueles eruditos, o susto, e disparar o paralisante pudor acadêmico[2]

Roda de bicicleta de Marcel Duchamp

Ainda que imerso na loucura, nota-se claramente seu senso estético e sua noção de equilíbrio, de modo que os elementos constitutivos da obra expressam coerência e dão sentido à percepção dos olhares mais atentos. Na comparação das duas obras vemos duas intenções bem distintas. Enquanto Duchamp se propõe a transformar um objeto em carte, de forma estética e representativa, Vemos que Bispo faz com que a expressão de seu subconsciente se materialize artisticamente, cabendo aos olhares treinados enquadrá-los na categoria de artista contemporâneo.                                                            


[1] Referências:
- CORPAS, Flavia, “Artur Bispo do Rosário: A arte além da  loucura”, Nau Editora, Rio de Janeiro, 2013
- Fotos: João Liberto e Rodrigo Lopes in Catálogo da exposição “Artur Bispo do Rosário Século XX”
[2] BRAGA, Alfredo, extraído de: http://www.alfredo-braga.pro.br/ensaios/reinvencao.html



segunda-feira, 13 de julho de 2015

OS NOVOS DA FOLIA


Crianças acompanham a Folia Sete estrela do Rosário de Maria-Mesquita,RJ 

Os jovens são a garantia de futuro das Folias de Reis. No entanto hoje os critérios de adesão são diferentes de como era há décadas, quando as crianças participavam durante determinado tempo em cumprimento de alguma promessa feita por seus pais ou até mesmo pela tradição entre os palhaços das folias, que deveriam participar durante sete anos no mínimo.  
Notadamente, a figura do palhaço exerce maior atração sobre os meninos. Sobretudo hoje quando não se leva tanto em consideração a lenda de que, quem não veste o palhaço durante sete anos seguido, fatalmente vai morrer, vemos uma maior permissividade por parte dos pais em relação à participação dos pequenos nesse grupo. Em relação às meninas, em sua maioria uma ala de anjos  é postada diante do cortejo, enquanto na bateria, alguns meninos iniciantes tocam os instrumentos mais leves como caixa, chocalho e cavaquinho.
No que se refere aos adolescentes à distribuição é um pouco mais homogênea. No entanto, vemos que na Região da Baixada Fluminense as performances dos palhaços são calcadas em acrobacias e danças que em muito lembram o chamado “Passinho”, dança ligada à cultura funk. Quanto às meninas, á vaidade é algo muito comum. Integrando a bateria ou conduzindo a bandeira de cada Folia, vemos uma grande preocupação da imagem pessoal nos cortejos. Uma virtude fundamental nesse contexto é a existência de um bom número de jovens artesãos que confeccionam as mascaras e paramentos dos palhaços. Com um altíssimo potencial criativo, materiais diversos são utilizados na feitura das máscaras, haja visto que em sua grande maioria os meninos são oriundos de famílias de baixa renda.


domingo, 26 de abril de 2015

GRUPO TRIOLO




Qual é a cara da música urbana, festeira e efetivamente mestiça do Rio de Janeiro? Essa é a pergunta que está contida na formação do grupo TRIOLO.
Formado por Ivan Machado na voz, contrabaixo e violão, Pê Jota na flauta e no violão e Guilherme Rocha em sua dinâmica percussão, o grupo passeia com seu repertório por um leque de estilos musicais que estão pulsando no coração do povo, mas sempre com uma linguagem própria em suas composições.

O TRIOLO é uma novidade em sua formação, porém com músicos consolidados na noite do Rio de Janeiro. Surgido em 2015, esses músicos têm a possibilidade de escoar uma produção de composições próprias e em parcerias com outros grandes compositores. Inclusive, parceria é a tônica do trabalho do grupo TRIOLO, daí a constante participação de intérpretes, poetas e instrumentistas em todas as vezes que sobem ao palco, produzindo uma diversidade ainda maior no som que esses músicos produzem.

Contatos:
(21)99911-7995
(21)97609-5092

https://www.facebook.com/triolotrio

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Meu tipo de Samba
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Dandara de Hoje
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Laranjais de Mutambó
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Paraíso:
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Sei Não:
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Primavera em Flor:
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Lado Negro:
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Pantera Nagô:
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Foi Deus que fez:
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

DISCURSO, DISTINÇÃO E ALTERNÂNCIA DE PODER
por Ivan Machado*

"Chica da Silva" - iconografia, contribuição de Carlos Juliano

 Hoje, diferente de quase vinte anos antes quando iniciei minha militância política, tenho condições de entender o motivo pelo qual algumas pessoas de origem igual a minha ascender socialmente e juntamente com isso adotar uma mentalidade conservadora. Tive acesso há uns três anos a uma fonte de pesquisa do início do Século XIX em Campos do Goytacazes, que relata a queixa de uma mulher junto a justiça, no qual essa acusa um escravo seu de roubo. Olhando mais a fundo, percebemos que essa mulher era uma ex-escrava, que recebeu terras e tantos outros bens como herança e entre esses bens, escravos.
O que os historiadores desse campo de pesquisa apresentam é que um ex-escravo que pretende ocupar seu lugar na casta social dos grandes proprietários e notórios produtores e donos de engenho e que um conjunto de atitudes e posturas deve ser acompanhado de seu respectivo discurso. Ou seja, a partir da ocupação efetiva desse espaço social, não só é possível como também necessário pensar como “senhor” e com tamanha convicção que tal fala se transforma em verdade pessoal. O ex-escrava portanto, não é mau ou, como no uso do discurso marxista, “o oprimido virou opressor”. O fato é que agora, as motivações, ideias e necessidades são outros. Os republicanos que faziam enfrentamento à monarquia não eram necessariamente abolicionistas. Muito pelo contrário, em grande parte, apenas pleiteavam o alternância de poder, tão em voga nos dias de hoje.
Ao contrário do discurso e atitudes que vemos em Marina Silva, que refletia constantes contradições na busca de afirmação política, não vejo o mesmo na fala de meus amados amigos ou demais brasileiros de afirmações idênticas. Noto sim uma verdade absorvida, tão necessária na ocupação do justo lugar que ocupam, claro que fruto dos avanços e possibilidades oferecidos nesta década.

Leia pra ilustrar esse raciocínio: “Chica da Silva e o contratador de diamantes: o outro lado do mito” - Correia e Grinberg,  Jorge Zahar, 2005
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* Ivan Machado
Vice-presidente do Conselho de Cultura de Mesquita, produtor musical e professor de História (UNIABEU/Nilópolis)

#dilma13