quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Inclusão digital, cultural e cidadã


Um amigo que vive na Espanha me mandou felicitações no fim do ano passado, enquanto fazia um lanche na rua. “estou acessando a net aqui, de um quiosque bem na causada em frente à lanchonete. E sabe de uma? É um jato a conexão. Fiquei sem PC em casa e não ta me fazendo falta nenhuma”. O fato me fez pensar bastante e discutir o assunto com um monte de amigos sempre que possível, como agora.

Quero aqui reproduzir uma matéria postada no site do MINC abordando o tema:

Audiência Pública discute a utilização dos espaços como complementação de cultura e educação para jovens.
Um debate promovido pela Comissão Especial instalada para proferir parecer sobre o Projeto de Lei nº 4.361/2004, que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente, foi realizado na tarde do dia 13/4, no Plenário 11 da Câmara dos Deputados, em Brasília.

A proposta legislativa objetiva disciplinar o funcionamento dos Centros de Inclusão Digital (CID’s), tais como Pontos de Cultura, telecentros, lan houses e cybercafés.

O ministro da Cultura interino, Alfredo Manevy, foi um dos convidados à participar da discussão, juntamente com o secretário de Educação à Distância do Ministério da Educação, Carlos Eduardo Bielschowsky; e o presidente do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, Cláudio Prado. Também presentes à mesa de debates o deputado Paulo Teixeira (PT/SP), presidente da Comissão Especial, e o deputado Otávio Leite (PSDB/RJ), relator da matéria, que se declarou favorável à regulamentação das lan houses.

“Acho oportuno que o Congresso Nacional traga o tema para debate”, disse Alfredo Manevy, que destacou o precário acesso da população brasileira aos equipamentos culturais.

Ele ressaltou que os números crescentes da pirataria no país decorrem do ‘buraco’ causado pelo escasso investimento no setor: “Criaram uma economia cultural para poucos no Brasil. O Estado brasileiro não tratou a Cultura, em nosso passado recente, como um assunto estratégico da nação”.

O secretário executivo do MinC afirmou que as lan houses no país prestam um serviço que o governo ainda não atende plenamente. “Elas devem ser compreendidas como uma estrutura complementar de alcance à sociedade.” Ao considerar que o modelo de telecomunicação deixou frestas e reconhecer a Banda Larga como um serviço fundamental para inclusão digital, ele disse que o Vale-Cultura poderá vir a ser utilizado nesses ambientes.

Cláudio Prado, por sua vez, acredita que é preciso descriminalizar e desburocratizar o acesso aos meios digitais nas lan houses (local acess network - redes de acesso local). Para ele, a sociedade deve deixar de associar esses ambientes como “antros de perdição”.

Defendeu a utilização dos espaços como Pontos de Cultura e lan cinemas, visando a realização de atividades baseadas no meio digital: “A lan house é um lugar onde isso pode ser trabalhado”.

O uso de novas tecnologias aliadas à educação foi uma das soluções apresentadas durante a Audiência Pública. O secretário Carlos Eduardo Bielschwsky lembrou que “a escola é um bom lugar para que as crianças possam realizar sua educação e culturalização digital”.

A reformulação da legislação autoral foi outro tema abordado durante o debate. “Não podemos pensar em legalizar lan house proibindo tudo que seria proibido antes da existência da Internet. Portanto, a discussão tem que estar sincronizada com a reforma do Direito Autoral”, declarou Cláudio Prado.
Fonte: MINC

No Estado do Rio de Janeiro, o Programa Baixada Digital não chegou a ser exatamente como propagou o Vice-Governador Pezão, reproduzindo no Estado o “sucesso” que foi a inclusão digital no Município de Piraí, onde foi prefeito por dois mandatos. A velocidade de conexão é menor que nos tempos do modem com seus ínfimos 53kb, insuficientes para acessar a grande maioria dos sites atualmente. E o que dizer da tão conhecida VELOX que, na baixada fluminense custa “os olhos da cara”, quando é possível fazer a assinatura, em metade da velocidade de concorrentes do Município do Rio, com mesmo valor de assinatura muitas vezes.

Hoje a Baixada Fluminense tem público consumidor de classe média com uma população que ultrapassa os três milhões e meio de habitantes. O conceito de “dormitório” está se distanciando muito rapidamente de nossa realidade, o que deve ser acompanhada de políticas públicas eficientes e céleres como é digno de nossa gente.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Folia de Reis - Uma grande festa da Cultura Popular na Chatuba




No sábado, dia 05 de fevereiro de 2011 o CCPBF participou de mais uma festa de arremate da Folia de Reis Sete estrelas do Rosário de Maria. Um dos maiores e mais emocionantes encontros de Cultura Popular do estado do Rio de Janeiro em Mesquita, no Bairro Chatuba- que já foi considerado o de menor IDH do Estado - que acontece de maneira totalmente autônima e sem a participação do Poder Público Municipal. Dona Maria Ana (Mariana, como é conhecida), hoje com a saúde muito comprometida, não abre mão de estar à frente de sua Folia que tem, segundo Laci sua filha, 144 anos. Desses, 44 anos só em Mesquita. A Folia Sete Estrelas do Rosário tem Dinho (filho) como Contra-mestre e conta com seus demais filhos, netos, bisnetos como integrantes, além de outros que a esses se incorporam por motivos diversos, seja por cumprirem promessas ou mesmo por terem suas antigas Folias extintas ou deslocadas para outro Estado. “Eu cheguei aqui com minha Folia no ano passado por volta de 00:00 e apenas no apresentamos quase 10:00h pois haviam 17 Folias na minha frente” afirma Mestre Nêgo (Nova Iguaçu), observando que neste ano o número de participantes parecia ser menor.
A comunidade do entorno é um capítulo a parte. Vê-se em grande número a participação e o apoio das famílias nesse evento. Enquanto alguns vizinhos com suas cadeiras de praia e câmeras fotográficas assistiam atentamente, outros aproveitavam para defender um dinheirinho amais vendendo churrasquinhos, bebidas entre outros. “Eu comprei quarenta caixas de cerveja este ano. Moro aqui há 30 anos e sempre foi assim, todos participando” Afirma Tuninho, morador e comerciante local. Cerca de três mil pessoas estavam ali prestigiando a festa diretamente. Um pequeno grupo que tentava colocar um funk, tocado através de um som de automóvel, foi convencido a ir para uma rua próxima, o que não interferiu em nada no que diz respeito à qualidade do encontro.

Definição
Folia de Reis é uma festa cristã que lembra a saga do Menino Jesus desde o seu nascimento e fuga para o Egito, tendo o Rei Herodes como seu perseguidor e os Reis do Oriente como adoradores, que iam visitar o tão esperado Rei dos Reis que teria nascido. Conforme a crença, uma estrela os levaria até o local onde estaria o menino. Herodes por sentir-se ameaçado pela profecia que preconizava o nascimento de um “Menino-Rei”, envia soldados à sua procura, figuras essas representadas nas Folias pelos “palhaços”, brincantes que seguem na retaguarda do corteja. Nos cantos, são entoados versos citando trechos do evangelho, sob a interpretação dos mestres. Na Região Metropolitana do Rio, a festa, que tradicionalmente se dá entre 25 de dezembro e 06 de janeiro, exatamente o Dia de Reis, se prolongas até o dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da Capital.

Segue abaixo um breve release fornecido por Lacy (Lazinha)e Sidney (Dinho), filhos de D. Mariana e em seguida um vídeo da festa.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Mundo Mágico de Escher


O CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) do Rio de Janeiro recebe exposição com 95 gravuras do artista holandês M.C. Escher (1898 - 1972).
Escher se inspirou em modelos matemáticos, como a fita de Moebius, e em mosaicos islâmicos do sul da Espanha para criar suas "imagens mentais".
Além de litografias e xilogravuras, fazem parte da mostra dez instalações-enigma, feitas a partir de labirintos, jogos de espelho e espaços impossíveis idealizados pelo artista.
Fonte: UOL

Na Década de 20 o mundo moderno foi sacudido com as impressões (literalmente) desse mestre da ilusão de ótica. Muitos teóricos e matemáticos viajam nas obras desse inovador intérprete da natureza. O fato de abordar a exatidão das formas não tira o mérito de seu olhar e muito pelo contrário. As possibilidades são infinitas, tendo como referência a forma como se observa o mundo. Inclua-se aí as relações sociais, sobretudo sob o ponto de vista de que “todo mundo é plano de fundo de todo mundo”, como afirma Escher. Na gravura “Oito cabeças”, deixa claro que não apenas as imagens se entrelaçam mas, os seres em seu meio ambiente. Uma última observação que fiz é que ver o mundo através do fazer do outro é um aspecto cultural que nos ajuda a sermos pessoas melhores e mais criativas. Vale a pena conferir.

Serviço

O Mundo Mágico de Escher
De 18 de janeiro a 27 de março de 2011
Centro Cultural Banco do Brasil
Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66
Entrada franca

Segue o link do site do CCBB
http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10173,1,0,1,1.bb?codigoEvento=3721

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Brasil lidera economia da cultura




Ao longo dos seis anos, o Brasil aumentou tanto o volume de exportação quanto o de importação de bens e serviços ligados à indústria criativa

Por Paulo Daniel*

O Brasil é o país da América Latina com o maior saldo positivo no comércio exterior de produtos e serviços ligados à indústria criativa – que abrange áreas tradicionais da cultura (como música, TV, cinema e artes plásticas), mas também artesanato, comunicação, design, arquitetura e itens ligados às novas tecnologias.

Em 2008, as exportações brasileiras superaram as importações em US$ 1,74 bilhão, segundo o Relatório de Economia Criativa de 2010, publicado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).

Das 13 nações da região com volumes mais expressivos de fluxo comercial nessa área, apenas quatro registraram superavit: Peru (US$ 251 milhões), Argentina (US$ 55 milhões) e Bolívia (US$ 4 milhões), além do Brasil. Os maiores déficits são de Venezuela (US$ 2,19 bilhões) e México (US$ 1,51 bilhão).

Ao longo dos seis anos analisados no estudo, o Brasil aumentou tanto o volume de exportação quanto o de importação de bens e serviços ligados à indústria criativa. Mas o grande responsável pelo resultado brasileiro são os serviços, cujo superavit saltou de US$ 477 milhões em 2002 para US$ 2,24 bilhões, em 2008.

No período analisado, o país foi sempre o que mais importou e mais exportou serviços da indústria criativa na América Latina, e registrou superavit todos os anos. O segmento que mais alavanca as exportações é o arquitetônico, que em 2008 respondeu por 88% das vendas (US$ 5,59 bilhões) e 71% das compras (US$ 2,92 bilhões).

Nos produtos o cenário é um pouco diferente. O Brasil tem grande participação nessa área, mas fica atrás do México – as exportações mexicanas alcançaram US$ 5,17 bilhões, e as brasileiras, US$ 1,2 bilhão. O país vizinho aos Estados Unidos, contudo, também importa mais (US$ 6,54 bilhões em 2008, contra US$ 1,72 bilhão do Brasil) e tem deficit maior. A balança comercial brasileira de produtos da indústria criativa vinha sendo positiva até 2007, mas ficou no vermelho em 2008 (déficit de US$ 506 milhões).

O estudo da UNCTAD e do PNUD afirma que o Carnaval é um dos principais impulsionadores da indústria criativa no Brasil. O impacto se dá pela “produção direta de artigos e performances gravadas para a venda para a população local e aos turistas, e pelos efeitos indiretos dos gastos dos turistas cujas visitas foram estimuladas pelo Carnaval”.

A festa ajuda ainda a desenvolver as habilidades dos artistas locais, e impulsiona a venda de produtos e de negócios elaborados por conta da celebração. “O Carnaval oferece uma concentração de performances de música e dança ao vivo e gravadas que têm um significado cultural considerável para o público nacional e internacional”, destaca o relatório.

Uma pesquisa, mencionada no estudo, sobre a cadeia associada ao Carnaval no Rio de Janeiro aponta que a festa, com retorno anual estimado em US$ 600 milhões, emprega quase meio milhão de pessoas e tem impacto direto e indireto na economia, não apenas da cidade, mas do estado.

Outra contribuição para o aumento das exportações de bens e serviços criativos na América Latina foi a retomada da produção cinematográfica na região, particularmente em Argentina, Brasil e México. Porém, o relatório avalia que os filmes nacionais continuam lutando por um espaço na tela com os grandes sucessos estrangeiros. Raramente ficam entre os dez mais vistos nos países, e a participação deles no mercado fica bem atrás das produções internacionais.

A novela é outro produto que ajuda a impulsionar a economia criativa latino-americana. “Na produção televisiva, há casos de sucesso, como a Televisa, no México, e a TV Globo, que são os maiores exportadores de programas de televisão – em sua maioria, novelas – para mercados mundiais”, diz o texto.

* Matéria originalmente publicada no blog Além da Economia
Paulo Daniel

Paulo Daniel, economista, mestre em economia política pela PUC-SP, professor de economia e editor do Blog Além de economia.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CULTURA COM DILMA - Baixada Fluminense


CARTA DA CULTURA BAIXADA FLUMINENSE

PRÓ DILMA PRESIDENTE


Nós abaixo assinados artistas, produtores, gestores e agentes culturais da Baixada Fluminense, Vimos a público manifestar nosso apoio à candidatura Dilma Presidente do Brasil, na certeza da continuidade e aprofundamento dos avanços alcançados em nosso campo de atuação durante os dois períodos de governo Lula, sob a batuta de Gilberto Gil e Juca Ferreira no Ministério da Cultura.

Dentre outras medidas necessárias para conquistar uma verdadeira democracia cultural, onde a maioria da população brasileira – em toda a sua diversidade – possa expressar plenamente a sua criatividade e ter acesso aos múltiplos saberes e fazeres que compõem a riqueza simbólica de um povo, apontamos as seguintes medidas como urgência e emergência geradas na dinâmica entre as ações públicas e as ações dos agentes sociais nos últimos oito anos, em contraste com as demandas acumuladas desde o nascedouro desta nação brasileira:

1. Inversão da prioridade no fomento e no investimento – inclusive das verbas originadas de renúncia fiscal – dos grandes centros para as periferias, da clientela de alta renda para a maioria da população, de poucos para muitos (com a meta de chegar a todos), do foco no espetáculo para o foco no processo, do estabelecido no mercado para o cultivado pela tradição, para o novo, o inovador, o experimental;
2. Aprimoramento e universalização em todas as instâncias – nas cidades, nos estados e na União, dos mecanismos democráticos de gestão – Conferências, Fóruns e Conselhos de Política Cultural, com ampla participação da sociedade e de caráter efetivamente deliberativo;
3. Consolidação do Sistema Nacional de Cultura, juntamente com a ampliação, transformação e fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura, de modo a proporcionar repasse de verbas para estados e municípios de forma não contingenciável;
4. Continuidade da articulação entre diversos ministérios, inspirado no PAC, que viabilizou o Programa Mais Cultura e que ampliou os recursos para a cultura, com destaque para as áreas mais carentes e de maior vulnerabilidade social;
5. Ampliação do Fundo Nacional de Cultura, permitindo contemplar uma maior diversidade de expressões e regiões culturais;
6. Aumento do orçamento da cultura, com aprovação da PEC 150: 2% do orçamento federal, 1,5% dos estados e 1% dos municípios;

DILMA PRESIDENTE - MAIS CULTURA PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Vale-cultura. Direito sem preconceitos




"Primeira política pública governamental voltada para o consumo cultural, o Vale-Cultura pode atingir até 12 milhões de trabalhadores. O benefício de R$ 50 é voltado para aquisição de ingressos de cinema, teatro, museu, shows, livros, CDs e DVDs."
fonte: http://blogs.cultura.gov.br/valecultura/

Sabemos que as políticas emergenciais são voltadas para questões estruturantes, sobretudo quando voltadas às populações menos favorecidas. Quem nunca ouviu dizer que alguém que estudou muito, viajou muito ou domina outras línguas é considerado “mais culto”?
Algumas pessoas querem mesmo é estar em seu lugar sem incômodos. Haja visto que um dos refrões mais conhecidos nas áreas urbanas do Brasil é a composta por Cidinho e Doca:

“Eu só quero é ser feliz. Andar tranquilamente na favela onde eu nasci e poder me orgulhar de ter a consciência que o pobre tem seu lugar”.

Acredito piamente que é necessário ter um lugar. No entanto, que esse seja uma janela para o mundo e não o fim dele.

O Vale-cultura não é uma favor. É política libertária na essência. Me lembro da discussão que se fazia na Baixada Fluminense quando se abordava a questão do passe livre para estudantes. Era comum ouvir de motoristas de ônibus que muitos meninos e meninas se utilizavam do uniforme escolar para passear. QUE ÓTIMO! Quantos pais têm uma grana disponível no meio da semana para que o filho dê um “role”? O vale-cultura abre os olhos quanto a necessidade de se ver, conhecer ou ouvir algo novo; diferente. O que naturalmente não é possível com os poucos recursos de um orçamento doméstico.

Penso que só o tempo vai mostrar, exatamente como em toda política cultural, que essa iniciativa vai ajudar enormemente a transformar corações e mentes.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

HINO NACIONAL - Símbolo, memória e resistência cultural

A pátria de Pedro Buno

É de conhecimento de muitos o ocorrido a alguns meses com a cantora Vanusa, quando a mesma se viu em constrangedora situação demonstrando total desconhecimento tanto da letra quanto da música do Hino Nacional Brasileiro. me vi mais uma vez tocado por um profundo descontentamento por ver mais uma vez lançado sobretudo nas camadas privilegiadas da sociedade brasileira uma discussão visando a proposta de alterações na letra de um de nossos símbolos nacionais. Um outro motivo que me leva a escrever é o marco histórico citado por poucos que observa que a letra do Hino Nacional Brasileiro está fazendo cem anos neste ano de 2009.

Nosso Hino Nacional Brasileiro é tido por diversos arranjadores e regentes clássicos como um dos mais belos do mundo por sua riqueza melódica e rítmica bem como suas genialidade orquestral. Algumas propostas de substituirão da melodia já foram feitas anteriormente e até mesmo um grande festival de música em janeiro de 1890 foi realizado com essa finalidade. Todavia, com se pode perceber em edição do Jornal do commércio à época, “o povo preferia o velho”, referindo-se a manutenção da orquestração de Francisco Manoel da Silva.

A letra, por sua vez, remonta uma época em que a poesia era vista como um tipo de retrato escrito da personalidade do escritor, tendo sempre a língua pátria como parceira, ainda que diversas versões tenham sido criadas regionalmente, por falta de uma unidade no discurso voltado ao nacionalismo ao qual se propõe tal obra, até que em 1909 Osório Duque Estrada compôs a versão tomada como definitiva tanto por governos como pelo povo em geral, até que no inesquecível ano de 1922, Epitácio Pessoa ratificou oficialmente essa versão da letra como definitiva.

Costumo dizer que nos dias corridos de hoje, as pessoas chegam ao cúmulo de identificar os ônibus apenas pela cor, sem ao menos se darem ao trabalho de ler o letreiro. Ao escrevermos no MSN por exemplo, somos minimalistas e relaxados com os critérios da linguagem que aprendemos. Quem lançar um olhar atento sobre a letra, perceberá a genialidade do autor ao descrever aspectos do país em duas belas estrofes.

A primeira Estrofe descreve o fato histórico da proclamação da república, sem exaltar a pessoa do monarca, que representava um vínculo que se pretendia desfazer, sem contudo deixar de ressaltar a relevância do momento. A tônica desse apelo ufanista está na altiva frase “Ó PÁTRIA AMADA,
IDOLATRADA, SALVE! SALVE!”, as segundas partes tanto da primeira quanto da segunda estrofe citam os outros Símbolos Nacionais (a bandeira e o brasão) em suas formas e cores em seus significados, sendo a segunda estrofe uma interessante descrição do mapa do Brasil, inteligentemente ilustrado como “florão da américa”, em seu verdadeiro formato de buquê de flores.

Bem. Como desafio a uma viagem por dentro dessa bela composição musical, segue abaixo a letra com um glossário, para que você também se sinta desafiado a entender melhor a riqueza de nossa língua antes de concordar em acomodar nosso símbolo de grandeza à mesquinhez cultural de uma minoria.



Vocabulário (Glossário)

Plácidas: calmas, tranqüilas
Ipiranga: Rio onde às margens D.Pedro I proclamou a Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822
Brado: Grito
Retumbante: som que se espalha com barulho
Fúlgido: que brilha, cintilante
Penhor: garantia
Idolatrada: Cultuada, amada
Vívido: intenso
Formoso: lindo, belo
Límpido: puro, que não está poluído
Cruzeiro: Constelação (estrelas) do Cruzeiro do Sul
Resplandece: que brilha, iluminidada
Impávido: corajoso
Colosso: grande
Fulguras: Brilhas, desponta com importãncia
Florão: flor de ouro
Garrida: Florida, enfeitada com flores
Idolatrada: Cultivada, amada acima de tudo
Lábaro: bandeira
Ostentas: Mostras com orgulho
Flâmula: Bandeira
Clava: arma primitiva de guerra, tacape

(Fonte: A História dos Símbolos Nacionais, de Milton Luz. Fundação da Biblioteca Nacional - Ministério da Cultura)