quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mesquita lança livro contando a história de suas ruas




Lançado no dia 10 de novembro, às 19h, no Paço Municipal, em frente à Prefeitura, na Rua Arthur de Oliveira Vecchi, 120, Centro, o livro Nossas Ruas têm História, se constitui na busca pela memória histórica e cultural de nossa Cidade, através da história das Ruas e da origem de seus nomes.

A ideia de contar a história das Ruas de Mesquita em um livro, começou em 2009, a partir da homenagem a dois ilustres ex-moradores, cujos logradouros levam os seus nomes. O Livro é uma parceria da Prefeitura de Mesquita com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – INEPAC, que viabilizou a estrutura para execução do trabalho. Ele foi executado pela coordenadora de Gestão Participativa, Gisela Barros, com a colaboração de toda equipe. A diagramação e a arte-final ficaram por conta de Pedro Felipe Mendonça Fernandez e Cláudio Nogueira Silva; e a revisão foi efetuada por Seny Fonseca. A equipe de pesquisa, que atuou na maior parte do projeto foi composta por Denise Rosendo, Rafael Vilardo, Ivan Machado, Leonardo Azeredo e Bruno Baptista

Integra da matéria no site da Prefeitura de Mesquita. (Link abaixo)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PLANO MUNICIPAL DE CULTURA - PMC: Mesquita convoca Audiência Pública de Cultura




A secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Mesquita publica em Diário Oficial a convocação da sociedade civil, classe artística e movimentos de cultura para a Audiência Pública que discutirá o Plano Municipal de Cultura e consequentemente o Sistema Municipal de Cultura. Conforme já publicamos aqui no blog, desde a primeira Conferência em 2008, se discute a necessidade de se apresentar um sistema de Leis que possibilitem dar identidade às ações culturais e os fazeres artísiticos na cidade. Desde aquele momento até agora outras demandas foram surgindo, bem como soluções possíveis, tais como as alternativas referentes a utilização do espaço público para fins de produção e fruição do fazer artístico.
Está aí mais uma oportunidade de dar alguma dinâmica para a política cultural de Mesquita. Vamos juntos participar, divulgar e acompanhar.
Espaço Setor BF - exemplo de utilização de espaço alternativo

O Centro cultural Oscar Romero teve início como biblioteca comunitária

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mesquita cancela Hino do Município




Em 2008 foi lançado Edital que regulamentava o concurso para escolha do Hino de Mesquita. Lembrando que a Emancipação se deu em 1999, tardiamente foi realizado o referido certame. Concorrendo com mais uma meia dúzia de outras canções, Wilsinha Sarava, compositor de renome no samba, foi então contemplado. Todavia, o segundo colocado apresentou trechos que, segundo o entendimento da banca examinadora, deveria constar do canto Oficial. Daí surgiu o pomo da discórdia.

Após alguns anos e uma série de contratempos e equívocos, a Prefeitura de Mesquita publicou hoje, 11 de agosto de 2011 a anulação do concurso de 2008 para escolha do Hino do Município. Alguns erros básicos foram cometidos como a ausência de uma consultoria técnica prévia para o elenco de critérios bem como a devida orientação aos compositores participantes e um claro entendimento do Edital. Um último e importante equívoco foi a aglutinação de trechos de músicas concorrentes, o que possibilitou recurso à justiça por parte de um terceiro concorrente.

Segue abaixo a íntegra da publicação em D.O.

É possível acessar o Diário Oficial do Município pelo portal da Prefeitura:

www.mesquita.rj.gov.br


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A força dos símbolos nas lutas sociais e políticas
























Fitas vermelhas - ampla adesão da população

Os atos rituais ou simbólicos são comuns nas diversas sociedades, sejam elas munidas ou não de características globais. Digo, com características aceitas na sociedade ocidental. Ainda hoje vemos o mundo fazer uso de símbolos do passado para ilustrar atitudes em nossos dias. Veja o caso dos bombeiros presos no Rio de Janeiro. Toda sociedade, independente da classe social ou financeira aderiu às famosas fitinhas vermelhas, caracterizando uma verdadeira empatia.
No último dia primeiro de agosto, o maior ato em prol de moradia por parte do povo israelense associou essa luta à imagem de Che Guevara, maior símbolo de lutas por uma América Latina independente.
No Brasil, onde as três culturas que formaram nesta nação vêm de nações profundamente ligadas à imagens e simbolos, isso se tornou uma constante tanto na formação dos cidadão quanto na educação nos lares e instituições de ensino.
Segue abaixo a matéria, publicada no site (contribuição de Denise Rosendo)

O maior protesto por moradia da história de Israel

Por Ilan Lior , Gili Cohen , Jack Khoury, Nir Hasson, Yanir Yagna and Eli Ashkenazi - Haaretz

Mais de 150 000 pessoas tomam as ruas de Israel no maior protesto por moradia da história do país. Manifestações ocorreram em mais de 10 cidades ao longo de Israel, exigindo baixa nos custos da moradia; grupos de árabes e judeus se

juntaram pela primeira vez desde as manifestações começaram, há 16 dias. O maior protesto ocorreu em Tel Aviv, onde milhares marcharam do Parque HaBima ao Museu de TelAviv. “Estamos muito felizes em ver o povo israelense ir para as ruas”, disse Yonatan Levy, um dos organizadores.

Mais de 100 000 pessoas tomaram as ruas no sábado para protestar contra o aumento desmesurado do preço das moradias em Israel. Marchas e passeatas tomaram 11 cidades pelo país, com as maiores manifestações ocorrendo em Tel Aviv, Jerusalém, Be’er Sheva e Haifa. Os manifestantes gritavam “o povo quer justiça social” e “queremos justiça, não caridade”.

O maior protesto ocorreu em Tel Aviv, onde milhares marcharam do Parque HaBima ao Museu de TelAviv. “Estamos muito felizes em ver o povo israelense ir para as ruas”, disse Yonatan Levy, um dos organizadores. “Estamos impressionados em ver ao longo do dia que as questões que foram levantadas em diferentes
níveis e em diferentes cidades não são tão remotas entre si, de jeito nenhum”.

Em Haifa, 8 000 pessoas marcharam pela cidade. Em Jerusalém, 10 000 manifestantes marcharam do Parque do Cavalo até a casa do Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu. Em Be’er Sheva, 3 000 manifestantes marcharam com cartazes dizendo “Be’er Sheva gritando sete (Sheva é a palavra hebraica para o número sete)”.


Em Ashdod, manifestantes marcharam a partir do Parque da Cidade. Algo como 150 pessoas se reuniram na cidade das barracas de Ashdod a caminho da grande marcha. Estudantes de Beit Barl marcharam da cidade das barracas em Kfar Sava para o entroncamento central Ra’anna.


Pela primeira vez desde que os protestos começaram, há 16 dias, houve um protesto envolvendo tanto judeus como árabes num lugar no centro de Nazaré. Em Kiryat Shmona 1999 manifestantes marcharam na principal via da cidade, em direção à saída sul da cidade.


Muitos músicos proeminentes fizeram shows nas ruas, inclusive Hemi Rodner, Dan Toren, Yehuda Poliker, Barry Sakharov, Yishai Levi, Aviv Geffen e outros.

domingo, 17 de julho de 2011

Do gozo a desmistificação - Um caminho para prática teatral



por Lino Rocca*


Este texto nasce a partir da leitura de uma palestra dada pelo filosofo francês de origem argelina Louis Althusser num encontro com o importantíssimo Teatro Piccolo de Milão no meados de 1969 abordando os pensamentos de Marx e Brecht e entendendo-os como exercícios de duas práticas inovadoras. Segundo ele é evidente que Marx de um lado, e Brecht, de outro, identificaram que a Filosofia e o Teatro têm profundas relações com as Ciências, de um lado, e com a Política, de outro.

Para Althusser Marx e Brecht compreenderam cada um à sua maneira, que a questão central da Filosofia e do Teatro era manter com a Política uma relação mistificada. Ambas as estruturas são fundamentalmente determinadas pela Política, e, contudo, fazem de tudo para negar essa determinação, ou melhor, para fingir que escapam dela. A Filosofia e o Teatro falam sempre para encobrir a voz da Política. E conseguem muito bem. Althusser diz: ”Elas existem apenas através dela, e ao mesmo tempo elas existem para suprimi - lá, justamente à qual elas devem sua existência”.

Para Althusser o resultado é bem conhecido: “a Filosofia passa seu tempo afirmando que não faz Política, que está acima dos conflitos políticos de classe, que se dirige a todos os homens, que fala em nome da Humanidade, sem tomar partido, ou seja, sem reconhecer o partido político que ela segue.” É o que Marx chamava de a “Filosofia que se contenta em interpretar o mundo”. Na realidade, nenhuma Filosofia se contenta em interpretar o mundo: toda filosofia é politicamente ativa, mas a maioria das filosofias passa seu tempo negando que sejam politicamente ativas. Elas dizem: nós não tomamos partido em política, nós nos contentamos em interpretar o mundo, em dizer o que ele é. E ai vale afirmação - quando alguém vem lhes dizer: “eu não faço política”, pode estar certo que esse alguém faz. É a mesma coisa com o Teatro.

Desta forma, percebe-se a Filosofia como uma produtora de objetos de consumo para um gozo especulativo, e por outro lado, percebe-se o Teatro como produtor de objetos de consumo para o gozo estético. Os filósofos acabam criando filosofias para o consumo e o gozo especulativo, os dramaturgos, e os diretores e atores, acabam criando o Teatro para o consumo e o gozo estético. A crítica da especulação-interpretação do mundo em Marx e a crítica do Teatro digestivo em Brecht são uma única e mesma coisa.

Então, Althusser afirma: “Daí deriva a revolução da prática em Marx e em Brecht. Não se trata de criar uma nova Filosofia, ou um novo Teatro. Trata-se de instaurar uma nova prática no interior delas, para que elas deixem de ser interpretação do mundo, ou seja, mistificação, e sirvam à transformação do mundo”. Portanto, o primeiro efeito dessas novas práticas é o de afirmar a destruição desta mistificação e não da Filosofia e do Teatro. É preciso então, reconduzir ambas ao seu verdadeiro lugar, para fazer aparecer essa mistificação como mistificação e, ao mesmo tempo, para mostrar a sua verdadeira função: a de transformar a Realidade e o Humano.

--------------------------------------------

Lino é um dos articuladores da cultura na Baixada Fluminense. Formado em teatro, fui Gestor de Cultura em Nova Iguaçu-RJ

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A nova família do mesmo Brasil

A família de Tasila do Amaral

O Direito Romano criou o que conhecemos e aceitamos até hoje como família. Um vínculo capaz de resguardar o direito a posse de bens aos que estão no seu seio, traz à nós algo muito mais profundo que um termo latino ("famulus" = 'domésticos, servidores, escravos...) que possibilita a seus entes garantir a permanência dos bens entre pessoas de vínculo direto, bem diferente do que vemos hoje não só entre nós brasileiros mais em muitas outras partes do mundo moderno.

Quando criança percebia a dificuldade com de minha mãe tentava se enquadrar ao conceito de família imposto pela igreja e pelo sistema legal da época, Haja visto que ela mesmo criava e sustentava sozinha os filhos. Era comum perceber que meu irmão recebia uma série de recomendações à noite, antes de todos dormirem, de maneira que ele seguisse tais normas no cuidado da casa e do irmão mais novo (eu, no caso) enquanto ela cumpria duas e à vezes três jornadas diária de trabalho, o que teve alguma amenidade com a chegada de minha avó, vinda da Bahia, quem assumiria então a função de co-gestora da família durante a semana. Era comum ouvir, durante as conversas informais com amigas, a recorrente afirmação: “você trabalha muito. precisa arranjar um marido!” Para meu orgulho, resistiu com bravura, sustentando, educando e entregando para a vida seus filhos, já devidamente preparados para isso.

Pintura de Debret retratando a hierarquia familiar do Brasil colônia

Mais de quarenta anos depois, é possível ver o Brasil ainda em conflito com sua realidade social, cultural e econômica, onde a família toma formas variadas sem que assumamos o rosto da maturidade nacional a cada vez que nos olhamos no espelho. Na semana passada, para exemplificar, deu-se aparentemente o desfecho sobre a decisão tomada pelo juiz Jeronymo Pedro Villas Boas, Juiz da 1ª Vara de Fazenda Pública de Goiânia, quando decidiu de forma arbitrária contra a união civil do casal Leo Mendes e Odílio Torres, contrariando a decisão do Supremo Tribunal de Justiça. Na ocasião, o magistrado afirmou que a União Estável fere o conceito de família previsto na Constituição Federal no § 3º do Art. 226 da Constituição Federal, que define:

É reconhecida como entidade familiar a convivência duradoura, pública e contínua, de um homem e uma mulher, estabelecida com objetivo de constituição de família.

Todavia, existem diversos estudos que discutem o novo perfil da família moderna, que tem características diversificadas, em especial no Brasil. Um exemplo de modernização do sistema legal para adequação à realidade das relações familiares hoje é a chamada Lei Maria da Penha (da Lei nº 11.340/06). O jovem advogado mineiro João Rodholfo, considera da seguinte maneira a aplicação da referida lei nessas questões:

Embora, em alguns pontos, a sociedade continue com a mentalidade machista, o fato é que a mulher passou a exercer um papel cada vez mais ativo dentro do lar familiar; o sustento passou a ser um dever de ambos e os papeis de ativo e passivo se revezam. Isto é, ora manda o homem ora manda a mulher. No Brasil, muito já se avançou desde adoção do Estado laico. A Constituição Federal de 1988 trouxe grandes inovações ao ordenamento jurídico nacional, passando a considerar a união estável como unidade familiar entre homem e mulher ou entre qualquer um dos pais e seus descendentes. Com isso, fora dado o ponta pé inicial para a implantação do novo conceito de Família, ou seja, o casamento deixou de ser sua única fonte, dividindo esse status com outros institutos. Logo, essa seara tornou-se fértil para as discussões doutrinárias e legislativas que deram origem a várias legislações especializadas em proteger a família originada em qualquer um dos novos arranjos.

A Lei Maria da Penha respalda inclusive um dado que o IBGE já apresenta a duas décadas, que é o constante aumento de idosos que sustentam suas famílias. Os números são de maneira notória mais altos nas camadas mais baixas da população. Porém, se refletem em todas as demais. Em 2991, 4,3 milhões de idosos se enquadravam nessa caso, subindo para 6,4 em 2005, configurando um aumento de cerca de 50% em menos de quinze anos. O senso 2000 mostra que o número de netos e bisnetos que moram com os avós, subiu para 52,4% em relação a pesquisa anterior. Um outro nicho de onde é possível perceber a atual realidade nacional está contido nos indicadores sociais do Programa Bolsa Família, que corrobora tanto o fato quanto os números, ainda mais acentuados no Nordeste do Brasil, onde a porcentagem chega a quase 80%.

O Programa Bolsa Família - Gestão matriarcal

Uma outra questão, retomando a primeira abordagem feita aqui, é a religiosa. Desde o vínculo da igreja com o Estado, herdado do modelo romano, temos a figura do pai não apenas como personagem principal mas também o filho como a única figura capaz de formar uma nova família quando adulto, relegando a filha a condição de membro de uma outra quando casada. Ainda é atribuído a Deus a imposição de uma união que deve ser heterogênea. Logo, no campo do divino não há discussão e não há união “abençoada” sem o aval da igreja, o que coloca qualquer configuração familiar à margem da sociedade e não apenas a atual união estável entre Mendes e Odilon em Goiás.

União Estável - fato que rebe mais atenção que outras

Lulu Santos e Nelson Mota proferiram um verdadeiro resumo das relações inter pessoais e da cultura quando cantam “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Eu gostaria muito de assistir Os Herculoides na TV aos domingos a tarde, devido a mesmice televisiva dos canais abertos. No entanto, sei que a prioridade da mídia é outra nos dias de hoje. Sei que tudo muda o tempo todo no mundo e não é minha vontade minha vontade de assistir bons desenhos animados com ótimas trilhas sonoras o que vai fazer o mundo ficar do meu jeito, só pra me agradar. Agora, observando bem, me lembro que até mesmo o bom e velho desenho animado refletia aquele formato padrão de família unida, o que de fato não nos pertence mais. E na verdade, seremos menos doentes se não pensarmos em acomodar o mundo ao nosso bel prazer.


Os Herculoides - reprodução do padrão de família nos anos 70

O mandachuva - Exemplo "engraçado" de relação familiar - sempre sob suspeita
-------------------
Fontes: Constituição Federal,
Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), IBGE, Cartilha Programa Fome Zero, Rodholfo, João - Direito de Família - nalei.com.br

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Folia de Reis Sete Estrelas do Rosário de Maria de D. Mariana indicada a Prêmio

No dia 03 de outubro de 2010, quarta-feira, faleceu nosso maior símbolo da Cultura Popular na Baixada Fluminense. Essa moradora de Mesquita ajudou a elevar o nome de nossa cidade, sem receber retorno algum. Apenas em prol da louvação e da fé, tão presente nas jornadas da folia Sete Estrela do Rosário de Maria que, ao longo desses 140 anos de atividades, teve em D. Maria Ana sua maior defensora.

Sua benção, D. Mariana!


Foto publicada no livro FOLIAS DE REIS FLUMINENSES - Peregrinos do sagrado, publicado pela Secretaria de Estado de Cultura

A Folia de Reis sete Estrelas do Rosário de Maria, da Mestra Maria Anna, moradora do bairro Chatuba em Mesquita, está concorrendo ao Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro na categoria Patrimônio Imaterial.
A folia de dona Mariana (como é mais conhecida) concorre na com outros dois grupos. Confira os demais concorrentes e demais categorias no link abaixo:
A cerimônia de premiação será no dia 29 de junho, no Theatro Municipal
A Folia Sete Estrelas do Rosário de Maria promove um dos maiores e mais emocionantes encontros de Cultura Popular do estado do Rio de Janeiro, em atividade há 144 anos.
Uma matéria mais ampla foi postada aqui no meu blog, no início do ano, enfocando a festa de arremate dela. Confira no link: